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segunda-feira, 5 de abril de 2021

AMOR MEU (LOVER, LOVER, LOVER) - Leonard Cohen por CoV

 Faixa bônus da Páscoa Multicultural CoV para o SÁBADO de ALELUIA: tradução do clássico de Leonard Cohen (1934-2016) contra as guerras e ódios de religião.

Somos todos, pais e filhos, carnais e espirituais, medíocres.
10 anos Laboratório de Sons do Vento.
Vuuush
@cavalgando_o_vento


quinta-feira, 18 de abril de 2019

UMA PÁSCOA MULTICULTURAL


UMA PÁSCOA MULTICULTURAL

       O Prof. Linduarte Cantor deu um almoço de Páscoa na sua casa. Ele me chamou para ajudar, acabei fritando a peixada, assando pão da Síria e trazendo um barril de vinho. A primeira convidada a chegar foi Ostara. E, rapaz, ela não é mole, não! Um mulherão. Não consegui entender de que país ela vinha, se era Dinamarca, Noruega, Suécia ou Alemanha, mas entendi que a moça é vegetariana. Não come bicho morto de jeito nenhum. Se apresentou como a deusa das primaveras e do equinócio, quando a luz do dia empata com as trevas da noite. Ela também ficou um pouco confusa, pois não sabia que em Gravataí, por estarmos no hemisfério sul do planeta Terra, nosso equinócio pascal era o de outono, não o de primavera como lá no Norte gelado, no meio das florestas germânicas e da península escandinava de onde ela veio. Pra bem-dizer a verdade, vi a moça comentando ao prof. Linduarte Cantor que ela acreditava que a terra era plana e que ela ia averiguar com os outros deuses de Asgard, e com os velhos marinheiros vikings, medievais, se conferia mesmo esse papo dos gravataienses modernos, como o Prof. Linduarte Cantor, e eu, de afirmarem que o mundo é como uma bola de futebol, redondo, ou melhor, pensei eu, que é redondo que nem os peitos da própria Ostara. Ela me deixou um bilhete dentro do ovinho de galinha que trouxe todo pintado com muitas cores alegres de lá da Europa. Antes de eu lhe alcançar a sobremesa, abri, sem quebrar, o meu presente e li o que estava anotado “a vida é um eterno recomeço. Na primavera as plantas renascem depois de um longo inverno. Trago a fertilidade para os homens do campo e para a mulher barriguda. Comigo por perto os passarinhos voltam a cantar. P. S.: Gostei de você. Te vejo em setembro”. Imediatamente já me senti revivido e pronto para lavar a louça do banquete do meu amado Professor.
      O segundo convidado que chegou foi o Moisés. Estupidamente eu não sabia que ele era gago. “Claro, né! Todo judeu sabe disso”, falou o Linduarte. E me explicou que ele, o Profeta Moisés, é gago desde menino, pois queimara a sua língua numa prova de fogo inventada por um conselheiro malvado que trabalhava pro faraó. O conselheiro desconfiou, não sem razão, que a filha do faraó tinha adotado o piá Moisés justamente dentre os escravos hebreus, que andavam querendo uma rebelião contra o rei egípcio e em nome da liberdade, afinal, os hebreus estavam escravizados na África há muito tempo. O preconceito, comentei, é coisa de antigos mesmo…
     Moisés chegou falando de como há milênios andava chateado, porque Jesus havia simplificado os seus 10 mandamentos do Antigo Testamento da Bíblia resumido-os em apenas 2 mandamentos, num famoso sermão narrado por São Mateus no Novo Testamento bíblico. Foram 40 anos perdidos no deserto, insistia o Moisés, numa treta sem fim entre as 12 tribos de Israel; mais as tropas do Egito no encalço dos hebreus; raios e trovões ameaçadores no topo do Monte Sinai, pois Jeová não poderia escrever uma lista de regras tão importante sem um estardalhaço cósmico; tudo isso para um dia pintar um jovem carpinteiro pacifista, chamado Jesus de Nazaré, encurtando o roteiro da salvação nas suas palestras. Reparei que Moisés trancou bem em salvação: sá sassá, sá sassassá ção sassá salvação acudiu o Prof. Linduarte. Fiquei um pouco besta com esse papo de advogado do Profeta Moisés, tratando de leis. Estranhei elas serem tão importantes na Antiguidade, onde quase ninguém sabia ler e escrever, mas fiquei quieto, até porque Linduarte leu meus pensamentos e falou ao pé do meu ouvido: “Você nunca conheceu antes um advogado que atravessou o Mar Vermelho de a pé”! Tive que concordar, mas me deu uma vontade louca de pedir pro Moisés cantar alguma coisa, só pra ver se ele confirmava aquela lenda de que gago não gagueja cantando… Olhei na prateleira da biblioteca do Linduarte e vi o livrinho de cantos hebraicos, chamado Hagadá, que reúne as músicas da Pessach (a Páscoa judaica que comemora a fuga do Egito) e quase lhe alcancei a Moisés, solicitando-lhe que puxasse em Lá menor o hino “Avadim Hayinu”. Não haveria desculpa de esquecer as letras ali com o livrinho em mãos, mas bem nessa hora chegou o terceiro convidado do Professor.
          Fomos surpreendidos pois que veio acompanhado. Jesus e Judas chegaram na paz dos humildes. Moisés é que fechou a cara. Depois deles chegarem, mal abriu a boca para comentar de seus pés de oliveira em Canaã, morrendo também na mesma hora o assunto das leis divinas, afinal, com o filho do Chefe ninguém brinca. Curiosamente Judas foi quem falou o tempo todo. Não sei se para impressionar a linda Ostara, mas inclusive deu uma palestra vivamente acompanhada pelo Linduarte, sobre a necessidade de todo o líder e herói ter um canalha traidor e alcaguete por perto. Se nosso destino já vem traçado desde o nascimento, pelas estrelas e pelos deuses imortais, sem nenhum erro de ortografia, mesmo entre tanta linha torta, Judas e Jesus já estavam de acordo do beijo e da traição desde sempre e pra sempre nas alturas do Céu. Linduarte falou para mim: “Já li isso naqueles evangelhos apócrifos, que ficaram de fora da Bíblia, porque foram escritos por cristãos gnósticos”, eu disse “o quê?”, ele disse, “cristãos místicos, Carlos, cristãos místicos, em que a traição de Judas era bem descrita assim, como um mal necessário para a Paixão de Cristo mudar o mundo”.
      Prof. Linduarte ofereceu a Jesus que almoçássemos ouvindo um disco gospel. E lhe perguntou qual cantor ou cantora seria de seu agrado, que puxávamos o disco no YouTube, mas Jesus, simpático e muito calmo, disse não lhe agradar o repertório gospel. Achava pouco criativo e, por demais, apelativo. “Veja, meu filho”, disse algo assim, o Cristo, “nunca fui de falar muito claro em meus sermões e agora vem este povo e escreve panfletos em meu nome”. Todavia, sempre apaziguador e respeitoso das diferenças, aliás como nenhum outro herói que passou pela casa ou pela biblioteca do Prof. Linduarte Cantor, Jesus arrematou pedindo: “toque o disco do Woody Guthrie. Este cantor americano fez uma música gospel que talvez seja a melhor”! Prestei bastante atenção na letra de 1940, afinal era uma mensagem divina, e senti que Woody representava bem ao Jesus que tinha em minha frente, com sua música falando das pessoas com quem Jesus pode contar há 2000 anos atrás – pobres e trabalhadores, e sobre quem quis vê-lo dependurado numa brutal e triste cruz – sacerdotes, fazendeiros, soldados e banqueiros.
    Chegando diretamente de Miami, com duas coelhinhas, capa de revista americana, nosso último convidado a dar o ar da graça foi o Coelho da Páscoa. Ofereceu-nos cortesias de seus novos produtos feitos em Gramado. Fumava charutos caribenhos e disse que o vinho só beberia se fosse do Porto de Portugal, pois ficava com dor de cabeça, com esses vinhos fuleiros do Brasil. Gostava mesmo era dos espumantes da Champagne, na França, disse também. Mal falou sobre a Páscoa. Não citou renascimento nenhum, sequer a ressurreição de ninguém importante. Mas sabia tudo sobre carros importados, sobre o preço do chocolate na bolsa de valores, apoiava a reforma da previdência proposta pelos bancos para os idosos, e achava que se o Natal continuasse vermelho, por causa do Noel, seria um prejuízo enorme para os comerciantes, pois isso era um estímulo à corrupção. Mostrava uma pança avantajada e disse que tinha pressa, que ia inaugurar uma nova fábrica de doces logo mais, no distrito industrial de Gravataí, inclusive com a presença de padres e pastores, pois a fé fazia muito bem para quem é empreendedor. Olhou nos meus olhos e disse: “Ninguém prospera sem fé no seu próprio negócio, rapaz”. Reparei que em nenhum momento o Coelho reparou na mais ilustre de nossas presenças. Muito menos lhe dirigiu a palavra. Jesus, por sua vez, há muito, tinha ido pro pátio dos fundos, estava brincando, preguiçosamente, com os gatos, cachorros e com os dois filhos do prof. Linduarte Cantor, ambos trazendo beiços lambuzados de chocolate.
          Quando todos foram embora, e eu terminei de lavar a louça, peguei do velho violão e cantei o seguinte poema:

VENTOS de PÁSCOA
Que os teus hebreus estejam libertos do cativeiro do Egito
Que o teu Cristo tenha renascido outra vez e de novo e de novo –
A despeito de todas as Cruzes do mundo;
Que os teus pagãos ponham o arado na terra, pois é tempo de plantar
E que façam uso de suas foices, já que também pode ser tempo de colher:
Isto só depende da lavoura de cada um;
Que as tuas crianças demorem a limpar os beiços sujos lambuzados do chocolate
(tão cheio de surpresas quanto o restante da vida)
E que o Coelho lhes cobre, em troca, apenas o equinócio de um sorriso de outono.
(c. a. albani da silva, o inventor do vento)


quarta-feira, 28 de março de 2018

HAI KAI de OUTONO




Páscoa também é...
1) O equinócio da meia-estação:

Hai-Kai de Outono
(Mário Quintana, 1906-1994)
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Inventor do Vento: Música, voz e viola
Mick Oliveira: Guitarra, vocal de apoio
Antonio Ramos: Flauta doce

quinta-feira, 24 de março de 2016

Ventos de Páscoa

John Everett Millais, A Enchente, 1870


Ventos de Páscoa
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Que os teus hebreus estejam libertos do cativeiro egípcio
Que o teu Cristo tenha renascido outra vez e de novo –
a despeito de todas as Cruzes do mundo;
Que os pagãos ponham o arado na terra, pois é tempo de plantar
E que façam uso de suas foices, já que também pode ser tempo de colher:
Isto só depende da lavoura de cada um;
Que as tuas crianças demorem a limpar os beiços lambuzados do chocolate
(tão cheio de surpresas quanto o restante da vida)
E que o Coelho lhes cobre, em troca, apenas um sorriso de outono.

    Hagadá ou a narrativa da Pessach – A Páscoa judaica
E quando Moisés chegou ao deserto olhou para o povo hebreu pensando “após séculos de cativeiro no Egito viveremos 40 anos livres, ainda que perdidos, nas areias do Sinai e isso até Canaã nos escravizar novamente com sua promessa de liberdade”.
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Moisés, o que gaguejava
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

O rei do grande Egito
Após o grande banquete
Mandou os servos de ombros caídos:
“Tragam
O meu miúdo netinho”
Upa! Upa! Neguinho
Agu-dadá
E toda a grande corte do faraó poderoso
No suntuoso palácio enfaraoado
Disse que entre avô e bebê via-se a cara de um
O focinho do outro
Assim como os pingos da chuva no Nilo
Se parecem uns aos outros
Ainda que a verdade das fuças reais
Ao contrário das chuvas do rio
Estivesse bem longe disso

Três anos antes
O grande rei faraó mandara grandiosamente
Matar afogado
A todo piquitito menino bebê
Nascido entre os insignificantes
Escravos hebreus
Assim um mago conselheiro lhe aconselhara
Após um pesadelo tinhoso de estranho que
O rei tivera e não lhe saía da cabeça:
Pudera! Veja como o susto monárquico foi grande:
Quando posto na balança do sonho
O Egito antigo inteirinho da silva
Era mais leve que um franzino cordeiro
Israelense
E esse filho de Israel peitaria o Império
Depois de crescido em bigodes, calças e idéias
Libertando os escravos hebraicos

Naquele ano de crianças sem vida
E mamães sem consolo
Na beira dos rios, tanques e poços
Uma mãezinha sorriu de faceira:
E foi justo a filha do faraó rei: A princesa
Como muitas outras mulheres ela rezou,
Em dias tão brabos
Mas só essa moça é que foi atendida
Com tanta criança sendo jogada fora por aí
Que uminha lhe caísse com vida em mãos
E o pequeno Moisés foi assim retirado das águas!

O conselheiro afogador de pimpolhos
Nunca engoliu esse copo mosaico, não senhor
Dede cedo reparou que
O brinquedo favorito do garoto
Era a coroa encravada de ouro
Olho de Hórus
Do velho avô rei
E este, poderoso, malvado, mas tanso faraó
Ria bem alto - toda a corte ria junto, medrosa que só
E bajuladora deveras
Durante o bilboquê de seu neto travesso

“Matem esse guri agora
Nada é por nada: Tudo significa alguma coisa
Não se brinca com a coroa de um rei
Exceto quando se nasce pra reinar
Esse moleque é filho de escravos
E será o líder deles na revolução que
Jogará nosso ancestral império
Na lata de lixo da história”.

Foi um alvoroço naquele nobre salão
Desacostumado a polêmicas
Já que ali todos se dispunham
A cantar no coro dos contentes
Para não perderem seus cargos

O conselheiro foi mais longe ainda
Buscou um pote de ouro
Outro pote cheio de brasas queimando, saídas da lareira
Desafiando a todos e disposto a comprovar
A esperteza do garoto inimigo da pátria
Comentou
“Reparem que o monstrinho
Agarrará as jóias raras e as moedas caras”
E assim Moisés o faria
Com os braços roliços de bebezão saudável
Sabedor dos perigos do fogo
Conhecedor das fortunas do dinheiro
Se não fosse um desses anjos do céu
Antenado em questões políticas que lhe
Colocou
Num passe de mágica
Umas brasas na boca

A criança engasgou, cuspiu, chorou e queimou a língua todinha
Ninguém mais desconfiou de rebelião alguma
Era só uma criança indefesa, ora bolas!
E sentiram muita peninha do nenê ultrajado
Até o rei demitiu o mago paranóico na mesma hora
A princesa, bem chateada, ouviu da boca do médico
Da corte
“Nessa brincadeira
Moisés ganhou uma gagueira danada
Pro resto da vida”

Anos mais tarde
Um historiador anotaria também:
“E gaguejando
Com a fala travada de sua língua pesada
Moisés tocaria o velho povo judeu
Pelos caminhos da nova liberdade
Nas areias do Sinai
Nas águas do Mar Vermelho que
Ele também fez levitar
Atrás de Canaã
Lugar pra se dizer lar
Até o aparecimento
De algum outro império
Metido a dono do mundo”.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Paul Gauguin, O Cristo Amarelo, 1889
O Paraíso já não é mais o mesmo
Na beira da piscina, em meio às meditações da Quaresma, o Pai, o Filho e o Espírito Santo sentiram a coisa séria demais nesta Páscoa. De pronto, mandaram anjos e querubins buscarem Chico Anysio (1931-2012) e Millôr Fernandes (1924-2012). A Santíssima Trindade só não morrerá de rir, pois é prerrogativa dos deuses serem imortais. O Filho ainda fez questão de buscar pessoalmente o geógrafo Aziz Ab´Saber (1924-2012). Andam dizendo por aí que o Diabo pretende construir um condomínio fechado nos Campos Elíseos. Claro, não sem antes um estudo profundo do impacto ambiental, afirma o Cristo. Além da soja, a especulação imobiliária compromete a Paz Celestial. (Albani da Silva, 30.03.2012)

FILOSOFIA, SILÊNCIO, SONHOS
- “Vem cá. Vamos praticar um pouco de filosofia, ou seja, calar a boca, deitar-nos e pensar”. Falou o organista a Sinclair em Demian (1919), de Hermann Hesse (1877-1962).
E Sinclair disse a um colega, em outra ocasião: - “Posso assegurar-te, desde já, que nada sei sobre os espíritos. Mas vivo em meus sonhos e tu soubeste adivinhá-lo. A maioria das pessoas vive também em sonhos, mas não nos próprios, e aí é que está a diferença”. (Albani da Silva, 300.03.2012)

PLAYING for CHANGE (2010) – Redemption Song (Bob Marley) – Um suspiro sonoro contra a escravidão africana e sua herança horrorosa em toda a América (dos EUA à Argentina). Uma canção de redenção:

ALGUNS MOTIVOS PARA NÃO SENTIRMOS SAUDADES DA DITADURA MILITAR (1964-1985)
Há 48 anos, em 1° de abril de 1964, o Exército derrubou o Presidente João Goulart (1919-1976) e passou a ditar as regras no Brasil. Apoiado por empresários nacionais e estrangeiros, pela Igreja, por setores da classe média, fazendeiros e pelo governo dos EUA, o Golpe Militar foi uma reação das elites contra as lutas populares que cresciam muito no Brasil da época. Essas lutas populares eram em prol das REFORMAS de BASE (reforma agrária, reforma urbana, reforma educacional e política). O pessoal da Direita, que deu o Golpe Militar, temia que ocorresse no país uma Revolução Comunista, como na Cuba de Fidel Castro e “Che” Guevara em 1959. Sendo assim:
1) É verdade que havia mais segurança nas ruas durante a Ditadura? Não! Durante a Ditadura, a repressão policial se concentrou contra grupos políticos de Esquerda (guerrilheiros, estudantes, líderes sindicais, intelectuais, artistas críticos). Se as ruas eram mais pacatas é porque os centros urbanos brasileiros eram bem menores e muita gente (cerca de 60% da população) vivia no campo. Em 1970, por exemplo, Gravataí tinha menos de 70 mil habitantes. Em 2000, tinha 270 mil habitantes!
2) As favelas e o êxodo rural têm a ver com a Ditadura então? Tudo a ver! Entre 1967 e 1979, os militares incentivaram a vinda de muitas empresas estrangeiras para o Brasil, sobretudo empresas norteamericanas. O país se industrializou de vez. Porém, o campo continuou dominado pelo latifúndio, ou seja, muita terra na mão de poucos fazendeiros e pouca terra na mão de muitos agricultores. Resultado disto? Milhões de camponeses sem-terra abandonaram o campo, ocupando as periferias das cidades atrás de emprego nas fábricas. Alguns conseguiram. Outros, não!
3) Não existiam drogas durante a Ditadura? Foi exatamente durante a Ditadura que o campo, no Brasil, se industrializou também, a partir de 1972. Máquinas agrícolas substituíram a mão-de-obra de milhões de agricultores e isso ocasionou ainda mais êxodo rural. Nesse embalo, fazendeiros, empresas multinacionais de agrotóxicos e tratores investiram pesado na produção de alimentos e de entorpecentes (tudo em nome do lucro, claro!). Rapidamente, as drogas inundaram as cidades...
4) Não havia corrupção na Ditadura? Enormes obras de infraestrutura (estradas, pontes, hidrelétricas, aeroportos) aconteceram no Regime Militar, quase todas superfaturadas e com muitos desvios. Veja o caso da estrada Transamazônica, caríssima e até hoje inacabada e tosca. Ou mesmo a enorme dívida externa, contraída pelo Governo Militar para industrializar o país. Poucas denúncias apareciam na TV, pois o próprio governo censurava a imprensa, e porque também grande parte da imprensa apoiava o Regime Militar (a Rede Globo, a Folha de SP, o SBT...)
5) Mas a Globo não era censurada também? Algumas das novelas da Globo foram censuradas, mas quase todas por cenas de sexo, beijos e nádegas, não por idéias políticas como foram censurados dezenas de compositores, escritores e professores. Mesmo assim, foi a Ditadura que patrocinou dezenas de filmes de PORNOCHANCHADAS, via Embrafilme, aqueles filmes brasileiros de comédia-erótica que fizeram muito sucesso no país nos anos 1970.
6) A Ditadura no Brasil foi menos violenta que as Ditaduras no Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Chile? Não! Ainda hoje centenas de pessoas estão desaparecidas por terem sido mortas e torturadas por órgãos militares e policiais. Outras milhares morreram assassinadas. Atualmente, a resistência ainda é grande entre os militares e políticos de Direita para instituir uma Comissão de Memória, Justiça e Verdade, no Congresso, que apure e puna os torturadores e criminosos do Regime Militar. Muitos deles seguem recebendo salários, homenagens e mantém seus títulos militares até hoje. Mesmo a Lei da Anistia Geral, de 1979, promoveu a impunidade dos torturadores e não prescreveu, como deveria, em 2009.
7)Alguém votava na Ditadura? Na maior parte da Ditadura, não! Os militares liberaram o voto em certos momentos, mas apenas para os alfabetizados (e milhões de brasileiros eram analfabetos) e para algumas prefeituras e Estados. Nada de voto para presidente! A lógica era: o povo brasileiro é incompetente, incapaz de votar por ser ignorante. Ou seja, novela, futebol e cerveja pro povo, pois assim o povo deixa os Generais, os “técnicos” do Exército e das empresas governarem o país.
RESUMINDO: Grande parte dos problemas do Brasil de hoje tem sua origem nos 21 anos de Ditadura Militar!!!! (Albani da Silva, 03.04.2012)

Legião Urbana – Perfeição (1993):

PLAYING for CHANGE (2010) – Three Little Birds (Bob Marley) – Três passarinhos cantando doces canções… Pois tudinho vai dar certo:

Ausência
(Com os pensamentos em Ana Cristina César, 1952-1983)
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987 – Do livro Corpo, 1984)

PLAYING for CHANGE (2010) – Gimme Shelter (Rolling Stones) – Deem-me abrigo, pois a Guerra, jovens, não passa de tiros em vão:  

PLAYING for CHANGE (2008) – Stand by Me (Ben King/John Lennon) – Não importa quem seja, não importa por onde ande na vida, em algum momento, você vai precisar de alguém para ficar ao seu lado: