Faixa bônus da Páscoa Multicultural CoV para o SÁBADO de ALELUIA: tradução do clássico de Leonard Cohen (1934-2016) contra as guerras e ódios de religião.
Somos todos, pais e filhos, carnais e espirituais, medíocres.
O
Prof. Linduarte Cantor deu um almoço de Páscoa na sua casa. Ele me
chamou para ajudar, acabei fritando a peixada, assando pão da Síria
e trazendo um barril de vinho. A primeira convidada a chegar foi
Ostara. E, rapaz, ela não é mole, não! Um mulherão. Não consegui
entender de que país ela vinha, se era Dinamarca, Noruega, Suécia
ou Alemanha, mas entendi que a moça é vegetariana. Não come bicho
morto de jeito nenhum. Se apresentou como a deusa das primaveras e do
equinócio, quando a luz do dia empata com as trevas da noite. Ela
também ficou um pouco confusa, pois não sabia que em Gravataí, por
estarmos no hemisfério sul do planeta Terra, nosso equinócio pascal
era o de outono, não o de primavera como lá no Norte gelado, no
meio das florestas germânicas e da península escandinava de onde
ela veio. Pra bem-dizer a verdade, vi a moça comentando ao prof.
Linduarte Cantor que ela acreditava que a terra era plana e que ela
ia averiguar com os outros deuses de Asgard, e com os velhos
marinheiros vikings, medievais, se conferia mesmo esse papo dos
gravataienses modernos, como o Prof. Linduarte Cantor, e eu, de
afirmarem que o mundo é como uma bola de futebol, redondo, ou
melhor, pensei eu, que é redondo que nem os peitos da própria
Ostara. Ela me deixou um bilhete dentro do ovinho de galinha que
trouxe todo pintado com muitas cores alegres de lá da Europa. Antes
de eu lhe alcançar a sobremesa, abri, sem quebrar, o meu presente e
li o que estava anotado “a vida é um eterno recomeço. Na
primavera as plantas renascem depois de um longo inverno. Trago a
fertilidade para os homens do campo e para a mulher barriguda. Comigo
por perto os passarinhos voltam a cantar. P. S.: Gostei de você. Te
vejo em setembro”. Imediatamente já me senti revivido e pronto
para lavar a louça do banquete do meu amado Professor.
O
segundo convidado que chegou foi o Moisés. Estupidamente eu não
sabia que ele era gago. “Claro, né! Todo judeu sabe disso”,
falou o Linduarte. E me explicou que ele, o Profeta Moisés, é gago
desde menino, pois queimara a sua língua numa prova de fogo
inventada por um conselheiro malvado que trabalhava pro faraó. O
conselheiro desconfiou, não sem razão, que a filha do faraó tinha
adotado o piá Moisés justamente dentre os escravos hebreus, que
andavam querendo uma rebelião contra o rei egípcio e em nome da
liberdade, afinal, os hebreus estavam escravizados na África há
muito tempo. O preconceito, comentei, é coisa de antigos mesmo…
Moisés
chegou falando de como há milênios andava chateado, porque Jesus
havia simplificado os seus 10 mandamentos do Antigo Testamento da
Bíblia resumido-os em apenas 2 mandamentos, num famoso sermão
narrado por São Mateus no Novo Testamento bíblico. Foram 40 anos
perdidos no deserto, insistia o Moisés, numa treta sem fim entre as
12 tribos de Israel; mais as tropas do Egito no encalço dos hebreus;
raios e trovões ameaçadores no topo do Monte Sinai, pois Jeová não
poderia escrever uma lista de regras tão importante sem um
estardalhaço cósmico; tudo isso para um dia pintar um jovem
carpinteiro pacifista, chamado Jesus de Nazaré, encurtando o roteiro
da salvação nas suas palestras. Reparei que Moisés trancou bem em
salvação: sá sassá, sá sassassá ção sassá salvação acudiu
o Prof. Linduarte. Fiquei um pouco besta com esse papo de advogado do
Profeta Moisés, tratando de leis. Estranhei elas serem tão
importantes na Antiguidade, onde quase ninguém sabia ler e escrever,
mas fiquei quieto, até porque Linduarte leu meus pensamentos e falou
ao pé do meu ouvido: “Você nunca conheceu antes um advogado que
atravessou o Mar Vermelho de a pé”! Tive que concordar, mas me deu
uma vontade louca de pedir pro Moisés cantar alguma coisa, só pra
ver se ele confirmava aquela lenda de que gago não gagueja cantando…
Olhei na prateleira da biblioteca do Linduarte e vi o livrinho de
cantos hebraicos, chamado Hagadá, que reúne as músicas da Pessach
(a Páscoa judaica que comemora a fuga do Egito) e quase lhe alcancei
a Moisés, solicitando-lhe que puxasse em Lá menor o hino “Avadim
Hayinu”. Não haveria desculpa de esquecer as letras ali com o
livrinho em mãos, mas bem nessa hora chegou o terceiro convidado do
Professor.
Fomos
surpreendidos pois que veio acompanhado. Jesus e Judas chegaram na
paz dos humildes. Moisés é que fechou a cara. Depois deles
chegarem, mal abriu a boca para comentar de seus pés de oliveira em
Canaã, morrendo também na mesma hora o assunto das leis divinas,
afinal, com o filho do Chefe ninguém brinca. Curiosamente Judas foi
quem falou o tempo todo. Não sei se para impressionar a linda
Ostara, mas inclusive deu uma palestra vivamente acompanhada pelo
Linduarte, sobre a necessidade de todo o líder e herói ter um
canalha traidor e alcaguete por perto. Se nosso destino já vem
traçado desde o nascimento, pelas estrelas e pelos deuses imortais,
sem nenhum erro de ortografia, mesmo entre tanta linha torta, Judas e
Jesus já estavam de acordo do beijo e da traição desde sempre e
pra sempre nas alturas do Céu. Linduarte falou para mim: “Já li
isso naqueles evangelhos apócrifos, que ficaram de fora da Bíblia,
porque foram escritos por cristãos gnósticos”, eu disse “o
quê?”, ele disse, “cristãos místicos, Carlos, cristãos
místicos, em que a traição de Judas era bem descrita assim, como
um mal necessário para a Paixão de Cristo mudar o mundo”.
Prof.
Linduarte ofereceu a Jesus que almoçássemos ouvindo um disco
gospel. E lhe perguntou qual cantor ou cantora seria de seu agrado,
que puxávamos o disco no YouTube, mas Jesus, simpático e muito
calmo, disse não lhe agradar o repertório gospel. Achava pouco
criativo e, por demais, apelativo. “Veja, meu filho”, disse algo
assim, o Cristo, “nunca fui de falar muito claro em meus sermões e
agora vem este povo e escreve panfletos em meu nome”. Todavia,
sempre apaziguador e respeitoso das diferenças, aliás como nenhum
outro herói que passou pela casa ou pela biblioteca do Prof.
Linduarte Cantor, Jesus arrematou pedindo: “toque o disco do Woody
Guthrie. Este cantor americano fez uma música gospel que talvez seja
a melhor”! Prestei bastante atenção na letra de 1940, afinal era
uma mensagem divina, e senti que Woody representava bem ao Jesus que
tinha em minha frente, com sua música falando das pessoas com quem
Jesus pode contar há 2000 anos atrás – pobres e trabalhadores, e
sobre quem quis vê-lo dependurado numa brutal e triste cruz –
sacerdotes, fazendeiros, soldados e banqueiros.
Chegando
diretamente de Miami, com duas coelhinhas, capa de revista americana,
nosso último convidado a dar o ar da graça foi o Coelho da Páscoa.
Ofereceu-nos cortesias de seus novos produtos feitos em Gramado.
Fumava charutos caribenhos e disse que o vinho só beberia se fosse
do Porto de Portugal, pois ficava com dor de cabeça, com esses
vinhos fuleiros do Brasil. Gostava mesmo era dos espumantes da
Champagne, na França, disse também. Mal falou sobre a Páscoa. Não
citou renascimento nenhum, sequer a ressurreição de ninguém
importante. Mas sabia tudo sobre carros importados, sobre o preço do
chocolate na bolsa de valores, apoiava a reforma da previdência
proposta pelos bancos para os idosos, e achava que se o Natal
continuasse vermelho, por causa do Noel, seria um prejuízo enorme
para os comerciantes, pois isso era um estímulo à corrupção.
Mostrava uma pança avantajada e disse que tinha pressa, que ia
inaugurar uma nova fábrica de doces logo mais, no distrito
industrial de Gravataí, inclusive com a presença de padres e
pastores, pois a fé fazia muito bem para quem é empreendedor. Olhou
nos meus olhos e disse: “Ninguém prospera sem fé no seu próprio
negócio, rapaz”. Reparei que em nenhum momento o Coelho reparou na
mais ilustre de nossas presenças. Muito menos lhe dirigiu a palavra.
Jesus, por sua vez, há muito, tinha ido pro pátio dos fundos,
estava brincando, preguiçosamente, com os gatos, cachorros e com os
dois filhos do prof. Linduarte Cantor, ambos trazendo beiços
lambuzados de chocolate.
Quando
todos foram embora, e eu terminei de lavar a louça, peguei do velho
violão e cantei o seguinte poema:
VENTOS
de PÁSCOA
Que
os teus hebreus estejam libertos do cativeiro do Egito
Que
o teu Cristo tenha renascido outra vez e de novo e de novo –
A
despeito de todas as Cruzes do mundo;
Que
os teus pagãos ponham o arado na terra, pois é tempo de plantar
E
que façam uso de suas foices, já que também pode ser tempo de
colher:
Isto
só depende da lavoura de cada um;
Que
as tuas crianças demorem a limpar os beiços sujos lambuzados do
chocolate
(tão
cheio de surpresas quanto o restante da vida)
E
que o Coelho lhes cobre, em troca, apenas o equinócio de um sorriso
de outono.
Que os teus hebreus estejam
libertos do cativeiro egípcio
Que o teu Cristo tenha
renascido outra vez e de novo –
a despeito de todas as Cruzes
do mundo;
Que os pagãos ponham o arado
na terra, pois é tempo de plantar
E que façam uso de suas
foices, já que também pode ser tempo de colher:
Isto só depende da lavoura de
cada um;
Que as tuas crianças demorem a
limpar os beiços lambuzados do chocolate
(tão cheio de surpresas quanto
o restante da vida)
E que o Coelho lhes cobre, em
troca, apenas um sorriso de outono.
Hagadá ou a narrativa da Pessach – A Páscoa judaica
E quando
Moisés chegou ao deserto olhou para o povo hebreu pensando “após séculos de
cativeiro no Egito viveremos 40 anos livres, ainda que perdidos, nas areias do
Sinai e isso até Canaã nos escravizar novamente com sua promessa de liberdade”.
(C. A.
Albani da Silva, o Inventor do Vento)
Moisés, o
que gaguejava
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)
O rei do
grande Egito
Após o grande
banquete
Mandou os
servos de ombros caídos:
“Tragam
O meu miúdo netinho”
Upa! Upa!
Neguinho
Agu-dadá
E toda a grande
corte do faraó poderoso
No
suntuoso palácio enfaraoado
Disse que
entre avô e bebê via-se a cara de um
O focinho
do outro
Assim como
os pingos da chuva no Nilo
Se
parecem uns aos outros
Ainda que
a verdade das fuças reais
Ao
contrário das chuvas do rio
Estivesse
bem longe disso
Três anos
antes
O grande
rei faraó mandara grandiosamente
Matar
afogado
A todo piquitito
menino bebê
Nascido
entre os insignificantes
Escravos
hebreus
Assim um
mago conselheiro lhe aconselhara
Após um
pesadelo tinhoso de estranho que
O rei
tivera e não lhe saía da cabeça:
Pudera!
Veja como o susto monárquico foi grande:
Quando
posto na balança do sonho
O Egito
antigo inteirinho da silva
Era mais
leve que um franzino cordeiro
Israelense
E esse
filho de Israel peitaria o Império
Depois de
crescido em bigodes, calças e idéias
Libertando
os escravos hebraicos
Naquele ano
de crianças sem vida
E mamães
sem consolo
Na beira
dos rios, tanques e poços
Uma mãezinha
sorriu de faceira:
E foi
justo a filha do faraó rei: A princesa
Como muitas
outras mulheres ela rezou,
Em dias
tão brabos
Mas só
essa moça é que foi atendida
Com tanta
criança sendo jogada fora por aí
Que
uminha lhe caísse com vida em mãos
E o
pequeno Moisés foi assim retirado das águas!
O
conselheiro afogador de pimpolhos
Nunca
engoliu esse copo mosaico, não senhor
Dede cedo
reparou que
O
brinquedo favorito do garoto
Era a
coroa encravada de ouro
Olho de
Hórus
Do velho
avô rei
E este,
poderoso, malvado, mas tanso faraó
Ria bem
alto - toda a corte ria junto, medrosa que só
E bajuladora
deveras
Durante o
bilboquê de seu neto travesso
“Matem esse guri agora
Nada é por nada: Tudo significa alguma coisa
Não se brinca com a coroa de um rei
Exceto quando se nasce pra reinar
Esse moleque é filho de escravos
E será o líder deles na revolução que
Jogará nosso ancestral império
Na lata de lixo da história”.
Foi um
alvoroço naquele nobre salão
Desacostumado
a polêmicas
Já que ali
todos se dispunham
A cantar
no coro dos contentes
Para não
perderem seus cargos
O
conselheiro foi mais longe ainda
Buscou um
pote de ouro
Outro pote
cheio de brasas queimando, saídas da lareira
Desafiando
a todos e disposto a comprovar
A
esperteza do garoto inimigo da pátria
Comentou
“Reparem que o monstrinho
Agarrará as jóias raras e as moedas caras”
E assim Moisés
o faria
Com os
braços roliços de bebezão saudável
Sabedor
dos perigos do fogo
Conhecedor
das fortunas do dinheiro
Se não
fosse um desses anjos do céu
Antenado
em questões políticas que lhe
Colocou
Num passe
de mágica
Umas
brasas na boca
A criança
engasgou, cuspiu, chorou e queimou a língua todinha
Ninguém mais
desconfiou de rebelião alguma
Era só
uma criança indefesa, ora bolas!
E sentiram
muita peninha do nenê ultrajado
Até o rei
demitiu o mago paranóico na mesma hora
A
princesa, bem chateada, ouviu da boca do médico
Da corte
“Nessa brincadeira
Moisés ganhou uma gagueira danada
Pro resto da vida”
Anos mais
tarde
Um
historiador anotaria também:
“E gaguejando
Com a fala travada de sua língua pesada
Moisés tocaria o velho povo judeu
Pelos caminhos da nova liberdade
Nas areias do Sinai
Nas águas do Mar Vermelho que
Ele também fez levitar
Atrás de Canaã
Lugar pra se dizer lar
Até o aparecimento
De algum outro império
Metido a dono do mundo”.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Paul
Gauguin, O Cristo Amarelo,
1889
O Paraíso já não é mais o mesmo
Na beira
da piscina, em meio às meditações da Quaresma, o Pai, o Filho e o Espírito Santo sentiram a coisa séria demais
nesta Páscoa. De pronto, mandaram anjos e querubins buscarem Chico Anysio(1931-2012) e Millôr Fernandes(1924-2012). A Santíssima Trindade só não morrerá de
rir, pois é prerrogativa dos deuses serem imortais. O Filho ainda fez questão de buscar pessoalmente o geógrafo Aziz Ab´Saber(1924-2012).
Andam dizendo por aí que o Diabo
pretende construir um condomínio fechado nos Campos Elíseos. Claro, não sem
antes um estudo profundo do impacto ambiental, afirma o Cristo. Além da soja, a especulação imobiliária compromete a Paz
Celestial. (Albani da Silva, 30.03.2012)
FILOSOFIA,
SILÊNCIO, SONHOS
- “Vem cá. Vamos praticar um pouco de filosofia, ou seja,
calar a boca, deitar-nos e pensar”. Falou o organista a Sinclair
em Demian(1919), de Hermann Hesse(1877-1962).
E Sinclair disse a um colega, em outra
ocasião: - “Posso assegurar-te, desde já, que nada sei sobre os
espíritos. Mas vivo em meus sonhos e tu soubeste adivinhá-lo. A maioria das
pessoas vive também em sonhos, mas não nos próprios, e aí é que está a
diferença”. (Albani da Silva, 300.03.2012)
PLAYING for CHANGE(2010) – Redemption Song(Bob Marley) –Um suspiro sonoro contra
a escravidão africana e sua herança horrorosa em toda a América (dos EUA à Argentina).
Uma canção de redenção:
ALGUNS MOTIVOS PARA NÃO SENTIRMOS SAUDADES DA DITADURA MILITAR
(1964-1985)
Há 48 anos, em 1° de abril de 1964, o
Exército derrubou o Presidente João Goulart (1919-1976) e passou a ditar as regras no Brasil.
Apoiado por empresários nacionais e estrangeiros, pela Igreja, por setores da
classe média, fazendeiros e pelo governo dos EUA, o Golpe Militar foi uma
reação das elites contra as lutas populares que cresciam muito no Brasil da
época. Essas lutas populares eram em prol das REFORMAS de BASE (reforma agrária,
reforma urbana, reforma educacional e política). O pessoal da Direita, que deu o Golpe
Militar, temia que ocorresse no país uma Revolução Comunista, como na Cuba de
Fidel Castro e “Che” Guevara em 1959. Sendo assim:
1)É verdade que havia mais
segurança nas ruas durante a Ditadura?Não! Durante a Ditadura, a repressão policial se
concentrou contra grupos políticos de Esquerda (guerrilheiros, estudantes, líderes
sindicais, intelectuais, artistas críticos). Se as ruas eram mais pacatas é
porque os centros urbanos brasileiros eram bem menores e muita gente (cerca de 60%
da população) vivia no campo. Em 1970, por exemplo, Gravataí tinha menos de 70 mil habitantes. Em
2000, tinha 270 mil
habitantes!
2)As favelas e o êxodo rural têm
a ver com a Ditadura então? Tudo a ver! Entre 1967 e 1979, os militares
incentivaram a vinda de muitas empresas estrangeiras para o Brasil, sobretudo
empresas norteamericanas. O país se industrializou de vez. Porém, o campo
continuou dominado pelo latifúndio,
ou seja, muita terra na mão de poucos
fazendeiros e pouca terra na mão de muitos agricultores. Resultado
disto? Milhões de camponeses
sem-terra abandonaram o campo, ocupando as periferias das cidades atrás
de emprego nas fábricas. Alguns conseguiram. Outros, não!
3)Não existiam drogas durante a
Ditadura? Foi exatamente durante a Ditadura que o campo, no Brasil, se industrializou também,
a partir de 1972. Máquinas agrícolas substituíram a mão-de-obra de milhões de
agricultores e isso
ocasionou ainda mais êxodo rural. Nesse embalo, fazendeiros, empresas
multinacionais de agrotóxicos e tratores investiram pesado na produção de alimentos e de entorpecentes (tudo em
nome do lucro, claro!). Rapidamente, as drogas inundaram as cidades...
4)Não havia corrupção na Ditadura? Enormes obras
de infraestrutura (estradas, pontes, hidrelétricas, aeroportos) aconteceram no
Regime Militar, quase todas superfaturadas e com muitos desvios. Veja o caso da
estrada Transamazônica,
caríssima e até hoje inacabada e tosca. Ou mesmo a enorme dívida externa, contraída
pelo Governo Militar para industrializar o país. Poucas denúncias apareciam na
TV, pois o próprio governo censurava a imprensa, e porque também grande parte da imprensa apoiava
o Regime Militar (a Rede Globo, a Folha de SP, o SBT...)
5)Mas a Globo não era censurada
também? Algumas das novelas da Globo foram censuradas, mas quase todas
por cenas de sexo, beijos e nádegas, não por idéias políticas como foram
censurados dezenas de compositores, escritores e professores. Mesmo assim, foi
a Ditadura que patrocinou dezenas de filmes de PORNOCHANCHADAS, via Embrafilme, aqueles filmes brasileiros de comédia-erótica que
fizeram muito sucesso no país nos anos 1970.
6)A Ditadura no Brasil foi
menos violenta que as Ditaduras no Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia,
Chile?Não! Ainda hoje centenas de pessoas estão
desaparecidas por terem sido mortas e torturadas por órgãos militares e
policiais. Outras milhares morreram assassinadas. Atualmente, a
resistência ainda é grande entre os militares e políticos de Direita para
instituir uma Comissão de
Memória, Justiça e Verdade, no Congresso, que apure e puna os
torturadores e criminosos do Regime Militar. Muitos deles seguem recebendo
salários, homenagens e mantém seus títulos militares até hoje. Mesmo a Lei da Anistia Geral, de
1979, promoveu a impunidade dos torturadores e não prescreveu, como deveria, em
2009.
7)Alguém votava na Ditadura? Na maior parte
da Ditadura, não! Os militares liberaram o voto em certos momentos, mas apenas
para os alfabetizados (e milhões de brasileiros eram analfabetos) e para
algumas prefeituras e Estados. Nada de voto para presidente! A lógica era: o povo brasileiro é
incompetente, incapaz de votar por ser ignorante. Ou seja, novela, futebol e cerveja pro
povo, pois assim o povo deixa os Generais, os “técnicos” do Exército e
das empresas governarem o país.
RESUMINDO:Grande parte dos
problemas do Brasil de hoje tem sua origem nos 21 anos de Ditadura Militar!!!! (Albani
da Silva, 03.04.2012)
Legião Urbana – Perfeição(1993):
PLAYING for CHANGE(2010) – Three Little Birds(Bob Marley) – Três passarinhos cantando doces canções… Pois tudinho vai dar certo:
Ausência
(Com os pensamentos em Ana Cristina César, 1952-1983)
Por muito tempo achei
que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade,1902-1987 –
Do livro Corpo, 1984)
PLAYING for CHANGE(2010) – Gimme Shelter(Rolling Stones) – Deem-me abrigo,
pois a Guerra, jovens, não passa de tiros em vão:
PLAYING for CHANGE(2008) – Stand by Me(Ben King/John Lennon) – Não importa quem seja, não importa por onde
ande na vida, em algum momento, você vai precisar de alguém para ficar ao seu
lado: