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sábado, 23 de julho de 2016

Escola Sem Partido ou Escola VerdeAmarela?

Francisco de Goya, Sim, saberá mais o discípulo? Capricho n° 37



Bestial projeto de lei esse “Escola Sem Partido” do pastor, circunstancialmente senador, Magno Malta do Partido (aka) da República (PR) do Espírito (aka) Santo.


E inclusive a gente se alembra de um conto do ITALO CALVINO (1923 a 1985). Seu primeiro parágrafo é assim:
           
            “Na Panduria, nação ilustre, uma suspeita insinuou-se um dia nas mentes dos oficiais superiores: a de que os livros contivessem opiniões contrárias ao prestígio militar. De fato, a partir de processos e investigações, percebeu-se que esse hábito, agora tão difundido, de considerar os generais como gente que também pode se enganar e organizar desastres, e as guerras como algo às vezes diferente das radiosas cavalgadas para destinos gloriosos, era partilhado por grande quantidade de livros, modernos e antigos, pandurianos e estrangeiros”.
(Um general na biblioteca, escrito entre 1943 e 1958)


ASSIM QUE ME QUEREM
(IRA!)
*Do disco “7” (1996)

Estou sonhando de olhos abertos
Estou fugindo da realidade
Todas as cervejas já bebi
Todos os baseados já fumei
O que há de errado no mundo
Meus olhos já não podem ver
Eu estou do jeito certo
Pra qualquer compromisso assumir

É assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar
Por um ideal
É assim que me querem
A ver na TV todo o sangue jorrar
E ainda aprovar
A pena capital
A pena capital

É assim que me querem

E me vendem essa droga
E me proíbem essa droga
Para os desavisados poderem pensar que o governo combate
Invadindo a favela
Empunhando fuzis
Juntando dinheiro corrupto para a platina no nariz

É assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar
Por um ideal
É assim que me querem
A ver na TV todo o sangue jorrar
E ainda aprovar
A pena capital
A pena capital

É assim que me querem

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A deusa de todas as mitologias

Oswald Wirth, A Imperatriz, 1927

Agradecimento
(Wislawa Szymborska, 1923-2012)

Devo muito
aos que não amo.

O alívio de aceitar
que sejam mais próximos de outrem.

A alegria de não ser eu
o lobo de suas ovelhas.

A paz que tenho com eles
e a liberdade com eles,
isso o amor não pode dar nem consegue tirar.

Não espero por eles
andando da janela à porta.
Paciente
quase como um relógio de sol,
entendo o que o amor não entende,
perdoo,
  o que o amor nunca perdoaria.

Do encontro à carta
não se passa uma eternidade,
mas apenas alguns dias ou semanas.

As viagens com eles são sempre um sucesso,
os concertos assistidos,
as catedrais visitadas,
as paisagens claras.

E quando nos separam
sete colinas e rios
são colinas e rios
bem conhecidos dos mapas.

É mérito deles
eu viver em três dimensões
num espaço sem lírica e sem retórica,
com um horizonte real porque móvel.

Eles próprios não vêem
quanto carregam nas mãos vazias.

“Não lhes devo nada” –
diria o amor  
sobre essa questão aberta.
(Do livro “Poemas”, tradução de Regina Przybycien, 2011)


LAN-HOUSE NOS CAMPOS ELÍSEOS
Direto de uma lan-house nos Campos Elíseos, Italo Calvino (1923-1985) enviou o seguinte e-mail:

“Caro Albani, lendo tuas postagens no “CoV” lembrei-me de minhas próprias palavras em “Amor longe de casa”, do livro “Um general na biblioteca” (1993). Assim escrevia eu, com uma menina na cabeça: [...] havia entre nós aquilo que se diz ser amor, esse rude descobrir-se e procurar-se, esse áspero sabor um do outro, sabe como é, o amor. [...] Tristeza e solidão dos novos amores, tristeza e saudade dos velhos amores, tristeza e desespero dos amores futuros. [...] Se sentia um vazio por dentro e ela disse: ‘É que nem quando você me beija´.

Aqui no céu, caro Albani, já não se pode fazer essas coisinhas boas aí da Terra".
Calvino – 5773 anos desde a criação do mundo.  
(Publicado originalmente na postagem de 15/03 de 2012)

Gazel I
Do amor imprevisto
(Federico-García Lorca, 1898 a 1936)

Ninguém compreendia o perfume
da escura magnólia do teu ventre
Ninguém sabia que martirizavas
entre os dentes um colibri de amor

Mil cavalinhos persas dormiam
na praça com luar de tua fronte,
enquanto eu enlaçava quatro noites
tua cintura, inimiga da neve.

Entre gesso e jasmins, o teu olhar
em um pálido ramo de sementes.
Eu procurei, para dar-te, em meu peito
as letras de marfim que dizem sempre,

sempre, sempre: jardim de minha agonia,
teu corpo fugitivo para sempre,
o sangue de tuas veias em minha boca,
tua boca já sem luz para minha morte.
(Publicado originalmente na postagem de 13/07 de 2012)

Yanto LaitanoMeu amor


Yanto LaitanoEu não sou daqui


Yanto LaitanoA Equilibrista



P.S.:  A Imperatriz - Terceiro Arcano Maior no Tarot de Marselha e no Tarot cabalístico: Gimel. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012


Gustave Caillebote, Dia Chuvoso, 1877

Onde tudo era proibido
E novamente me encontrei andando pelas ruas de Gravataí e Cachoeirinha num velho FIAT Uno. Ao meu lado, Italo Calvino (1923-1985) contava algumas histórias que eu já conhecia de seu “Um general na biblioteca(1993). Ele as contava mais ou menos assim:
Havia um país em que tudo era proibido / A única coisa não proibida era jogar bola / Os cidadãos se reuniam num campo atrás da vila / E ali passavam os dias jogando bola / Tudo tinha sido proibido aos poucos / Sempre com motivos justificados / Não havia ninguém que pudesse reclamar / Que não soubesse se adaptar / Passaram-se anos / Um dia, o governo viu que não tinha mais razão para que tudo fosse proibido / E anunciaram que os cidadãos podiam fazer o que quisessem / Mensageiros foram aos lugares frequentados pelos cidadãos / “Saibam”, anunciaram, “nada mais é proibido”. / E eles continuaram jogando bola / “Entenderam”?, os mensageiros insistiram. “Estão livres para fazer o que quiserem”. / “Muito bem”, responderam os cidadãos, “Nós jogamos bola”. / O governo fez campanha publicitária para recordar-lhes quantas coisas belas e úteis havia / Às quais eles tinham se dedicado no passado e poderiam voltar a se dedicar / Ninguém prestou atenção e continuaram a jogar bola / Chuta que chuta / Gol e gol / O governo decidiu então / “Nem uma, nem duas”, disseram os governantes, “Proibamos o futebol” / Aí o povo fez uma revolução e matou a todos governantes / Depois, sem perder tempo, voltaram a jogar bola". (Italo da Silva, 21.06.2012)

Caetano VelosoÉ Proibido Proibir (s/d):

Ladrões...
Havia um país onde todos eram ladrões / À noite, cada cidadão saía para arrombar a casa do vizinho / Ao voltar, carregados, encontravam a sua casa roubada / E assim todos viviam em paz e sem prejuízo / Um roubava o outro / E este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último, que roubava o primeiro / Não se sabe bem como / Ocorre que no país / Apareceu um homem honesto / À noite, em vez de sair com o saco e a lanterna / Ficava em casa, fumando e lendo romances / Vinham os ladrões, viam a luz acesa e não subiam / Isso durou algum tempo / Até que convenceram o homem honesto que / Se quisesse / Viver sem fazer nada demais / Não era essa boa razão para não deixar os outros fazerem / Cada noite que ele passava em casa / Era uma família que não comia no dia seguinte / Sem argumentos / O homem começou a sair de noite, voltando de madrugada / Mas não ia roubar / Era honesto, não havia nada a fazer / Ia até a ponte olhar a água passar / Voltava pra casa, e a encontrava roubada / Em uma semana o homem honesto ficou sem um tostão / Sem comida / Com a casa vazia / Mas até aí tudo bem, era culpa sua / Mas seu comportamento criou uma grande confusão / Lhe roubavam tudo / E ele não roubava ninguém / Algum ladrão voltava pra casa e a achava intacta / Exatamente a casa que o homem honesto deveria ter roubado / O fato é que, pouco depois, os que não eram roubados acabaram ficando mais ricos / Não querendo mais roubar / E os que vinham roubar a casa do homem honesto / Sempre a encontravam vazia / Assim, ficavam mais pobres / E os que enricaram pegaram o costume, eles também, de ir à noite ver a água do rio / Isso só fez aumentar a confusão / Pois muitos outros ficaram ricos / E muitos outros ficaram pobres / Os ricos entenderam que indo até a ponte / Mais tarde ficariam pobres / E pensaram: “Contratemos os pobres para irem roubar por nós” / Definiram salários, comissões / Como eram ladrões / Procuravam enganar-se uns aos outros / Mas, como acontece, os ricos tornavam-se cada vez mais ricos / E os pobres cada vez mais pobres / Havia ricos tão ricos que não precisavam mais roubar e mandavam roubar os pobres para continuarem ricos / Mas se parassem de roubar, eram roubados pelos pobres / Então pagaram aos mais pobres dos pobres para defenderem as suas coisas / Contra outros pobres / Assim criaram a polícia e ergueram prisões / Poucos anos após o episódio do homem honesto / Não se falava mais em roubar ou ser roubado / Mas só de ricos e pobres / E no entanto todos continuavam a ser pobres.
/ Honesto só tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome. (Albani Calvino, 21.06.2012)


Leonard Cohen Suzanne (1970): E Jesus era um marinheiro / Quando andou sobre a água / Ele ficou muito tempo apenas observando / De sua solitária torre de madeira / E quando soube com certeza (que) / Apenas os afogados podiam enxergá-lo / Ele disse "Então todos os homens serão marinheiros / Até o mar libertá-los". 

Os Livros Mais Vendidos da Semana (De acordo com a Revista Olhe)

 Ficção
1º - Cavalgando o Vento. Poesia e Ficções (Albani da Silva e a Ventania);
2º - Querido João (Nicolas Fagulhas);
3º - O Filho da Mãe (Rique Raiordan);
4º - A Guerra dos Tontos (Jorge Martin Pescador);
5º - Jogos Sem-Graça (Suzana Colos e todo o Campeonato Brasileiro).

WilcoBorn Alone (2011): 
Não-Ficção
1º - Cavalgando o Vento. Poesia e Ficções (Albani da Silva e a Ventania);
2º - Para sempre, mas só enquanto durar (Bilharda e Críquete Carpinteiros);
3º - Guia Politicamente Incorreto de Gravataí e Cachoeirinha (Leonardo Moloch);
4º - Estevão Empregos. Uma biografia. (Válter Isaquisson);
5º - A cozinha morosa de Anne Marie Bragui-Lhá (Anne Marie Bragui-Lhá).

Cordel do Fogo EncantadoPreta (2006):

Autoajuda e esoterismo
1º - Cavalgando o Vento. Poesia e Ficções (Albani da Silva e a Ventania);
2º - H. Pinho. O amiguinho fiel (Padre Marcos Vermelho);
3º - Desperte o pobretão que há em você (Marcos Feiticeiro Martin Pescador);
4º - O sábio druida e o C.E.O (Tiago Caçador);
5º - Nietzsche para Bobocas (Alain Delon).

Echo and the BunnymenThe Killing Moon (1984): 





quinta-feira, 12 de abril de 2012

André Derain, Mulher de azul, 1910

Como morreu o dono da FIAT?
É sempre gostoso dar carona a pessoas especiais. O papo flui. Semana passada, deixei Italo Calvino (1923-1985) em casa. Andando pelas ruas de Gravataí em um FIAT Uno 1994, Calvino contou outra vez aquilo que os leitores de “Um general na biblioteca(1993) já sabem, como morreu o dono da FIAT:Então, o dono da FIAT mandou construir seu banheiro como um salão de colunas e tapeçarias e tapetes, e aquários nas paredes. E grandes espelhos ao redor refletiam mil vezes a imagem dele. E o vaso tinha braços e espaldar, alto como um trono; tinha até baldaquino. E a corrente para puxar a descarga tocava um carrilhão muito suave. Mas o dono da FIAT não conseguia fazer cocô. Sentia-se constrangido no meio daqueles tapetes e aquários. Os espelhos refletiam mil vezes a sua imagem enquanto estava sentado no vaso alto como um trono. E o dono da FIAT tinha saudades da latrina de sua casa de infância, com serragem no chão e pedaços de jornal enfiados num prego. Foi assim que ele morreu: de infecção intestinal depois de meses sem fazer cocô.  (Albani da Silva, 10.04.2012)

Combater o nada I
Julio Cortázar (1914-1984) e eu decidimos revelar aos leitores do Cavalgando o Vento algumas “Armas Secretas(1959) para se combater o nada: 1) Ruminar sobre o que nunca fomos, nem nunca vamos ser; 2) Inventar novas maneiras de se pedir as mesmas coisas de sempre (um beijo a uma menina, a comida predileta feita pela mãe, aumento salarial); 3) Parar o relógio com a força do pensamento; 4) Escrever cartas de amor; 5) Tocar bateria no ar ao som de uma canção sem bateria; 6) Ler o próprio Julio Cortázar. (Albani da Silva, 10.04.2012)

ORTINHOPense 2x Antes de Esquecer (2010):


DICAS PARA A SEDUÇÃO (Mulheres): Não parta pra cima de homem algum com a autoestima lá embaixo ou com a baixaestima no alto, o que dá no mesmo. Sedução não é para os fracassados! Procure sempre sair com suas amigas mais feias, de preferência as feias e mal-vestidas. Humilhando-as, você chamará a atenção de todos os rapazes. (Jurema Kisses – Sexóloga, 39.04.2012)

DICAS PARA A SEDUÇÃO (Homens): Um homem de verdade não precisa fazer esforço para seduzir alguém. Por onde passa, destrói casamentos, fecha conventos, deflora mocinhas inocentes, enlouquece crentes e descrentes apenas sendo. (Sargento Getúlio - Pistoleiro, 10.04.1955)

DICAS PARA A SEDUÇÃO (Homoafetivos): Se estiver afim apenas de prazer aposte todas as suas fichas nos “homens de verdade”, conforme acima, ou nas “mulheres bem de autoestima, rodeadas de amigas feias e mal-vestidas”. Por outro lado, evite os escritores fracassados, intelectuais, CEO´s de empresas multinacionais, feias audaciosas e professores de séries iniciais. Em suma, mantenha distância de todos os possíveis sentimentais – claro, se o seu “negócio” for só a curtição, nada de compromisso... (Henrique e Luciana – Ufólogos, 10.04.2030)

No te va gustar Chau (2011):


O Prisioneiro
Juan Goytisolo (1931), em As Semanas do Jardim (1997), captou bem o espírito de prisioneiro quando o coração está oprimido, aflito, impaciente: O tempo transcorre ao mesmo tempo leve e insuportável / Conta-se os dias e as noites à espera do aviso de sua liberação / O tímido, o trêmulo, o retraído sente-se cheio de energia e coragem / A impotência condena à dissimulação. Alguma coisa assim ele disse, no BÁ do seu alefato. (Albani da Silva, 10.04.2012)

Café Tacuba - Maria (1992): 


ORTINHOSaudades do Mundo (2010):





sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dom Quixote e Sancho Pança. Desenho a lápis de Pablo Picasso, 1955.
                   
A gente mata o tempo ou o tempo mata a gente?
Parafraseando Jorge Luis Borges (1899-1986) e seu “O Outro” do “Livro de Areia” (1975):
“Uma jovem e um velho conversavam sentados num banco que estava em dois tempos e em dois lugares simultaneamente. Disse o velho: Se este verão e este encontro forem sonhos, cada um de nós dois tem de pensar que é o sonhador. Talvez deixemos de sonhar, talvez, não. Nossa obrigação evidente, enquanto isso, é aceitar o sonho, como aceitamos o universo e ter sido gerados e olhar com os olhos e respirar. A jovem respondeu: Digo a mim mesma, repetidas vezes, que não existe outro enigma senão o tempo, essa infinita trama do ontem, do hoje, do futuro, do sempre e do nunca. Albani da Silva, 32.02.2012.

O estúpido e o óbvio
Extra! Extra! Motorista confessa que bebeu DEPOIS de atropelar sete crianças na calçada. Albani da Silva, 25.02.2012.

ITALO CALVINO (1923 – 1985): Escritor italiano nascido em Cuba (?!?), Calvino arrebentou os muros que por vezes limitam a criatividade e a imaginação. Misturou a liberdade experimental das vanguardas modernistas com tradicionais narrativas de fábulas e romances de cavalaria. É o que se lê no poético e filosófico “As Cidades Invisíveis” (1972) – Marco Polo descreve 55 cidades utópicas ao imperador Kublai Khan. Qual o enigma da cidade de Valdrada? Construída às margens de um lago, tudo que acontece em Valdrada acontece, de maneira invertida, no espelho d água, desde o amor até o assassinato. Portanto, Valdrada não é uma, mas duas cidades diferentes. E também se lê em “O Cavaleiro Inexistente” (1959) – que faz parte da trilogia “Os nossos antepassados” (1960). O Cavaleiro Inexistente é Agilulfo, integrante do exército de Carlos Magno que defende sua honra sendo “apenas” uma armadura branca que anda, luta e arrebata corações. O escudeiro Gurdulu tem por hábito confundir-se com as coisas e com a natureza. O coitadinho vive em permanente crise de identidade. Ou ainda se lê em “A trilha dos ninhos de aranha” (1947) – o órfão Pin tem dificuldades em entender duas coisas nesta vida, a POLÍTICA e as MULHERES. E quem não tem, Calvino, digo, Pin, quem não tem? Albani da Silva, 25.02.2012.


Banda Dirigíveis - Nos dias que passei aqui.
Rock n´ roll amargo do grupo de Gravataí presta homenagem a mestres do cinema.
Vídeo editado pela dupla Albani da Silva e Mick Oliveira.