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sábado, 13 de agosto de 2016

O amor é gostoso que nem pastel com ovo: uns se lambuzam, outros passam fome na rodoviária (playlist)

“O amor é gostoso que nem pastel com ovo: uns se lambuzam, outros passam fome na rodoviária”

As múltiplas manifestações do amor (e da falta dele!) em 10 canções do Inventor do Vento, C. A. Albani da Silva, numa playlist amorosa:

    1)   Ramalhete de flores de fogo (que a chuva apagou): As paixonites, apesar das diferenças.


    2)   O amor é tão bom: Ou a sátira do casamento na adolescência.

    3)   Colar: Ou a lírica dos amores de verão.

    4)   Os Noivos: Ou a crônica FolkPunkSertaneja do casamento na roça; 

    5)   Canção do tudo passa - Valentina & Jerônimo: A crônica do casamento na favela;

    6) Até Breve: Ou a lírica do amor sem futuro nem passado – o primeiro amor!

    7)   Adaga de Prata: Decidiu morrer virgem porque a mãe ensinou que só havia maldade nos homens / Mitológicas do machismo x feminismo.

    8) O Esqueleto: Traído até pelo cãozinho de estimação.

    9) Nosso amor é punk brega: Uma homenagem em estilo MPB ao Rei do Punk Brega e a todos que amam ao som dele: Wander Wildner.

    10) A dançarina Jéssica: Gravada no tecladinho do Seu Fulê para todas as dançarinas de cancã do mundo.






segunda-feira, 16 de março de 2015

É de Maria que falo é pra Maria que canto

Mamica, Mãe do Inventor do Vento, c. de 1974



Esta é uma postagem extraordinária. Mas não é uma postagem de luto. Esta canção surgiu como uma resposta poética e histórica à impotência e à indignação, ainda durante a luta pela vida e pela saúde. Voltar ao seio da natureza é sair do nosso atabalhoado tempo histórico para entrar na serenidade do tempo infinito. Além do que, não há doença que possa ser maior do que a VIDA. Por isso é pra MARIA que canto!

É de Maria que falo é pra Maria que canto
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Se for segunda o bife é à milanesa
Ferve a lentilha que espanta a fome e a tristeza
Foi-se o domingo que começou na Cachoeirinha
Ou lá na barra do Tramandaí
Na tela o Silvio antes de um beijo de boa noite
A casa limpa pra receber a luz do sol
E colorir de artesanato o chão, a mesa
Pano de prato e o banheiro, com certeza
Ainda menina, cabelo ao vento, encaracolado
De campo e mata e de cascatas em Santo Antônio
Os 15 irmãos, o bergamasco com os pais e as tias
Tem pés na sanga e um medo louco de temporal
Desceu do morro pra esse vale cheio de indústrias
Seus olhos verdes viram a luz da noite elétrica
Aos 11 anos deixou a escola pra faxinar
A tantas casas que só a ela coube limpar

É de Maria que falo
É pra Maria que canto

Aos 19 foi operária de bola e latas
Para o azeite e a árvore dos Natais
Chegada a hora, na domingueira da Jovem Guarda
Um cara magro pegou seu braço e a levou pro altar
Corria rápido o mês nove de ´76
A ditadura rolando solta aqui outra vez
E a Maria, recém-casada, peregrinava
Atrás do lar que o manto da Virgem abençoava
Viriam logo os primeiros dias pela COHAB
Hoje incontáveis quanto os verões lá de Baunilha
Plenos de vento, de chocolate e maresia
Secreto amigo e de lambari, as pescarias
O primeiro filho veio no tempo das vacas magras
Isso que o esposo as madrugadas ele varava
Fazendo bombas e geringonças na metalúrgica
Ainda assim curaram a asma do pequenino
Em 09 anos chegava ao mundo o seu caçula
Naquele outono, 22, de utopia
Levá-los todos para o colégio de mãos dadas
É a merenda, feita com esmero, pra criançada
A história vai pro “digodieime”, pro futebol
Pintou o rock e outras formas de fantasia
Com namoradas, na faculdade, era sempre a Maria
A esperar, vigilante, pelo portão
Às vezes braba: fazer dos jovens homens feitos
Só pra sentir falta da infância deles depois
Mas não importa, o cafuné continuará
Nos pés, na alma, sempre que a gente precisar

É de Maria que falo
É pra Maria que canto

Teu amor é a flor do quintal
Tu és a flor do nosso quintal
Não há dor que murche o jardim
Pois o nosso amor não tem mais fim

É de Maria que falo
É pra Maria o meu canto



quinta-feira, 15 de março de 2012

Mulher pré-histórica, appaloosa de Lascaux, 17 mil anos atrás

INIMIGOS!
O cantor de protesto argentino FACUNDO CABRAL (1937-2011) cantava: “Tenho dois inimigos, pois os dois lados são maus: o homem que pisa outro e o que se deixa pisar” - da canção “Que si, que no, lo mismo me da”. (C. A. Albani da Silva, 15.03.2012)

 12.03.12 00h00
Casamento entre Conde Drácula e Don Juan gera polêmica
Correspondente de Guerra
Da Transilvânia

Depois de séculos dando mordidinhas em belos pescoços femininos, o Conde Drácula juntou seus trapos e pôs aliança no dedo com outra celebridade – o inescrupuloso sedutor Don Juan. Ainda não se sabe quem seduziu quem primeiro, mas o que este Correspondente de Guerra encontrou foi um Drácula de bigode aparado e cabelo lambido, assim como um Don Juan de nariz levemente arrebitado, fruto de recente operação plástica realizada em prestigiada clínica brasileira.
Em uma cerimônia discreta e civil (afinal, Drácula continua não se entendendo com padres, crucifixos e água-benta), realizada em castelo medieval aqui na Transilvânia, na noite do último domingo (11.03), destacaram-se, entre os presentes, Frankenstein, a Bruxa do Leste, o Nosferatu de Murnau e, surpresa das surpresas, Satã em pessoa. Acompanhado de seis diabinhas fedorentas e impertinentes, Satã reclamou dos enroladinhos de salsicha o tempo todo. Ausência notável foram os vampiros da saga Crepúsculo. Nos bastidores circulavam boatos de que as mamães é que não haviam liberado os filhos-vampiros para a festa.   
O Brasil não ficou de fora da cerimônia. Estavam lá a Mula-Sem-Cabeça, o Saci Pererê e o Zé do Caixão. De acordo com um colega repórter, de renomado diário italiano, nossa Mula literalmente perdeu a cabeça ao ser chamada de jegue por um Lobisomem francês. No mais, o matrimônio transcorreu na maior serenidade, entre canapés e salgadinhos, sucos, espumantes e outros quitutes.
Para o sociólogo Juca de Moraes, doutor em monstruosidades e aberrações contemporâneas pela UNB, todo o casamento não passou de uma jogada publicitária. Perdendo cada vez mais audiência para os zumbis nas telas de cinema e para os cantores sertanejos na TV, Drácula e Don Juan teriam forjado essa paixão arrebatadora para arranjarem novos contratos e melhores cachês. De toda forma, o novo casal pretendia embarcar na próxima meia-noite para a ilha de Caras, celebrando a lua cheia de mel. 

DICAS PARA O SEU SUCESSO: Evite a poesia, o amor e o bom-senso. (Albani da Silva, 15.03.2012)

Os Corvos
É aquele velho corvo na figueira, que te olha direto nos olhos e grasnando diz: “Todo coração romântico e rebelde deveria me ouvir. Para continuar seu amigo quando tudo for dito e feito. E levar suas lágrimas para o rio. E ouvir a cada anjo triste cantar em algum lugar em que se possa sonhar o dia todo”. (Albani da Silva, 15.03.2012)

THE BLACK CROWES – Appaloosa (2009). Para aprender a cavalgar o vento, nada como uma boa appaloosa:

LAN-HOUSE NOS CAMPOS ELÍSEOS
Direto de uma lan-house nos Campos Elíseos, Italo Calvino (1923-1985) enviou o seguinte e-mail:
“Caro Albani, lendo tuas postagens sobre o Dia da Mulher lembrei-me de minhas próprias palavras em “Amor longe de casa”, do livro “Um general na biblioteca” (1993). Assim escrevia eu, com uma menina na cabeça: [...] havia entre nós aquilo que se diz ser amor, esse rude descobrir-se e procurar-se, esse áspero sabor um do outro, sabe como é, o amor. [...] Tristeza e solidão dos novos amores, tristeza e saudade dos velhos amores, tristeza e desespero dos amores futuros. [...] Se sentia um vazio por dentro e ela disse: ‘É que nem quando você me beija´.
Aqui no céu, caro Albani, já não se pode fazer essas coisinhas boas aí da Terra.
Calvino – 5772 anos desde a criação do mundo.   

JOY DIVISION – Love Will tear us apart (1979) – Gravação alternativa na BBC. Ian Curtis (1956-1980) canta, em meio a uma tristeza de dar dó, “o amor vai nos separar novamente”…


THE MAGIC NUMBERS – Love´s a game (2009) – O amor é só um jogo / Quebrando a tudo como sempre / O amor é só uma mentirinha / Que acontece a toda hora...

 Banda EX – Obrigado por tudo e por nada (2010) – A banda portoalegrense canta sobre os ciúmes e o fim de uma paixão devido à exposição da vida privada nas redes sociais:


 CRÔNICA DO COSMÉTICO
Era uma família espanhola / Chegou em MG no século XIX / Se pôs a produzir café / Não podiam ter escravos, mas tinham / Em 1888 foi abolida a escravidão no Brasil / Ficaram os mulatos, mas buscaram os italianos para plantar e colher também / Até então a família espanhola, cada vez mais brasileira, louvava o santo imperador Dom Pedro II / Não demoraria muito e virariam convictos defensores da República / Mas sem essa de voto universal, escola pública e muito menos reforma agrária / Porque agora a família tinha latifúndios a preservar / Século XX adentro chegaram as máquinas para beneficiar, mas ficou o café / O preço da bebida negra subiu e desceu / Vieram meeiros de enxada na mão / Netos, bisnetos e tataranetos também / Uns seguiram administrando as fazendas, junto de acionistas que compraram metade das ações das empresas da família espanhola-brasileira-agora-globalizada / Outros da família viraram médicos, advogados e artistas (sobretudo cineastas) / A tataraneta mais nova, tão bonita, mas tão bonita, mesmo, fundou uma empresa de cosméticos / Perfumes e sabonetes de café / E até da flor do café, que só dá uma vez por ano, e em um dia apenas / Tudo em nome da sustentabilidade / Da economia verde / É quando me bate à porta uma representante comercial desses cosméticos / Catálogo na mão / Toda essa história na língua / Compro um creme para a pele da minha namorada / Bem cheirosinho até / Ela já não sabe se ainda gosta de mim. (Albani da Silva, 39.03.2012)