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sexta-feira, 27 de março de 2020

GALINHA com POLENTA com CLARICE


Num almoço de 100 anos, ofereci galinha com polenta para CLARICE LISPECTOR (1920-1977). Ela me pegou pela mão e me levou para dentro da consciência da galinha e depois me respondeu a velha pergunta: quem veio primeiro?

P.S.: Vamos enfrentando a pereba global, ficando em casa, e espalhando literatura para combater outro vírus medonho: o fascismo dos governos de extrema-direita e de parcela do empresariado que não aceita reduzir os seus lucros, ameaçando o povo com desemprego e tripudiando os idosos.
P.S. II: Esse mesmo pessoal, na última crise capitalista global, em 2008, despejou 15 trilhões de dólares (!) para socorrer os... BANCOS.
Vuuush cavalgandoovento.blogspot.com.br @cavalgando_o_vento

domingo, 9 de dezembro de 2018

#5 NOS CUS DE JUDAS (encontrei anjos & arcanjos)



PLAYLIST DO LIVRO 

CONTOS PRA CANTAR DO INVENTOR DO VENTO
#5 NOS CUS DE JUDAS (encontrei anjos & arcanjos)

Era só uma balada tosca
Ou punk, como queiram
Dos tempos de piá
Por volta de 2002...
Até que meu amigo imaginário
O PÉGASO de PAU
Me veio
Naquelas horas profundamente meditativas:
Leitura & Solidão!
Nas férias de janeiro ou fevereiro
Em madrugadas de terça pra quarta
Quando não se tem que lecionar
Sentados no sanitário-vaso onde todos os valentões se apagam
Pois os fortes só gemem e os corajosos se cagam
O PÉGASO de PAU me disse:
“Você sabia, Inventor do Vento, que
“Nasci no município de
“CUS de JUDAS/RS
“No Vale do Rio Gravataí de
“Nossas imaginações mirabolantes
“Um lugar colonizado por seres mitológicos
“Discos voadores, inclusive
“Desde há 30 milhões de luas!
“Lá, nasci
“Numa família de mensageiros e trasportadores alados
“Dos sonhos humanos
“Na periferia do mundo
“Entre favelas e biroscas
“Pelas estradas de chão, com muitas carroças e ônibus lotados
“Onde também pode brotar o amor
“A arte independente
“E a igualdade social”.
Gravada no Laboratório de Sons do Vento
Num domingo logo antes do cachorro-quente, 2018.
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NOS CUS DE JUDAS
(encontrei anjos & arcanjos)
c. a. albani da silva, o inventor do vento

Um disco voador pousou no meu jardim
E me contou histórias de amor sem fim
(Disco voador caiu no jardim
Derramou litros de histórias sem fim)

Um disco voador pousou no teu quintal
E te disse que procurando o bem só encontrou o mal
(Disco voador pousou no quintal
No bem só encontrou o mal)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o diabo perdeu as botas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no nosso coração
Veio das Plêiades, lonjura de constelação
(Disco voador pousou no coração
Bota lonjura de constelação)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o sábio molhou as barbas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no teu negro olhar
Não bastou um só ventilador pro teu calorão resfriar
(Disco voador pousou no negro olhar
Só um ventilador não deu pra resfriar)

Um disco voador na cabeça da Dona Tristeza
Foi quem lhe botou o chip ancestral da sua safadeza
(Disco voador pousou na Dona Tereza
Chip ancestral da safadeza)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá nos Cus de Judas*
Quero te encontrar vestindo cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir
(Capítulo III do livro "Contos Pra Cantar" - Fazer um gol no futebol, pp. 17, 18 e 19)

*Voz e violão: Albani
Baixo: Mick
Bateria: Alemão
Lab de Sons do Vento, 2018.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

GRATIDÃO IORUBÁ

Máscara Ancestral, Abdias do Nascimento, 1988


No vale do rio Níger, Oeste da África, os griots iorubás, por séculos, contaram esta história, que Leo Frobenius (1873-1938), o viajante, me contou e eu conto agora procê assim:

GRATIDÃO

1. O caçador foi para a mata
E derrubou um antílope
Um gato-de-algália sentiu o cheiro
E faminto apareceu
Pediu-lhe um bocado de carne
O caçador lhe deu um bom bife
O gato lembrou: - Posso lhe fazer um favor, quando precisar…

2. Numa outra caçada
O mesmo caçador se embrenhou
Na mata fechada
Topou com um crocodilo
- Fui enganado! Moro no rio, mas vim parar aqui!
- Salve-me que lhe darei muitos peixes!
Falou o crocodilo
- Com prazer! Falou o caçador
Puxando o crocodilo numa corda
O caçador levou o réptil ao Níger
Solto, o crocodilo buscava os peixes Prometidos, um a um…
Pôs o primeiro no seco;
O segundo no raso;
E o terceiro peixe no fundo…
Quando o caçador buscou esse último peixe
O crocodilo lhe agarrou o pé!
De um banco de areia
Vieram os demais crocodilos:
- Oba! Comida! Venham todos pro banquete!
(Berraram)
O caçador lamentou: - É justo isso?
- Te salvei, crocodilo perdido
- E agora me devoras?
Os crocodilos resolveram ouvir as coisas que
Um dia pertenceram ao caçador:

3. O tapete acusou:
- Quando estava novo e limpo ele não me pisava
- Até me enrolava com carinho
- Mas quando fiquei velho e sujo ele me jogou no rio…
O vestido acusou:
- Quando era colorido e sem traças
- Ele e sua esposa me engomavam pra desfilar
- Agora todo puído e desbotado me jogaram no rio…
A égua que foi beber água acusou:
- Já morei no seu estábulo
- Comia da melhor grama para as corridas
- Dei-lhe potrinhos, mas desdentada
- E fraca das carnes
- Ele me enxotou da aldeia…

4. Os crocodilos já serviam a mesa
Quando o gato-de-algália apareceu
O gato pediu para irem onde tudo começou…
No sertão da mata fechada
O crocodilo ficou furioso:
- E foi daqui em diante que ele me amarrou
- E me arrastou pela estrada…
O gato disse: - Doeu, crocodilo?
O crocodilo disse: - Doeu!
O gato disse: - Como eram os nós?
E o caçador atou o crocodilo
E mostrou a amarração
- Entendo porque não está satisfeito, crocodilo!
O gato exclamou e soltou o réptil
No meio da mata
Disse também:
- Você já castigou o caçador
- Mordendo sua perna no rio!
- Agora para acabar com as brigas
- Você ficará solto por aqui
- E o caçador seguirá com suas caçadas por aí
O caçador então agradeceu o gato
Ambos foram embora…
O crocodilo, outra vez
Estava num mato sem cachorro
Ou melhor: sem caçador!

5. Toda pessoa, algum dia
Será tratada como tratou os outros?

(Reconto por Inventor do Vento)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Do capítulo XIII dos "Contos Pra Cantar": Ramalhete...


Ramalhete de flores de fogo (que a chuva apagou)
C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento

Sempre gostei das mentiras que você dizia pra mim
Sempre assisti aos filmes que você achava ruim
Sempre sonhei com aquele beijo que você não me deu
Sempre rezei pra todos os deuses que você nunca creu

Sempre bebi todas as doses que você rejeitou
Sempre lutei por utopias que você tantas vezes negou
Sempre reli aquele livro que você nunca acabou
Mas ainda assim, sinto falta de ti (4x)

Sempre ri das piadas mais tolas nas horas impróprias
Mas nunca engoli a vergonha de artimanhas inglórias
E nunca esqueci daquilo tudo que outros tantos logo esquecem
Eu nunca pedi nada daquilo que você não pudesse me dar
Vejo a verdade como algo relativo, mas nem tanto assim (2x)

Sempre busquei um samba blues no lugar desse seu pop tão frívolo
Mas nunca evitei saborear desse teu doce veneno no umbigo
Do amargo provei quando colhi a tempestade que outro alguém semeou
Vou lhe entregar um ramalhete de flores de fogo que a chuva apagou
Mas ainda assim, sinto falta de ti (4x)


* Faixa do álbum "Cavalgando o Vento", gravado entre Julho de 2012 e Agosto de 2013, no Estúdio LACOS, em Cachoeirinha/RS, com a produção de Cleiton Amorim e apoio do FUCCA (Fundo da Cultura de Cachoeirinha).

** Do capítulo XIII do livro “Contos Pra Cantar do Inventor do Vento”.

Ficha técnica da canção:
Letra, Música, Voz: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento
Violões, Guitarras, Vocal de Apoio: Mick Oliveira
Sopros: João Cândido
Baixo, Bateria, Percussão e Teclado: Daniel "San"
Técnico de Áudio: Luan Henrique
Produção: Cleiton Amorim

terça-feira, 18 de julho de 2017

O blues do cachorro magro (Cheirinho do Capítulo XI dos "Contos Pra Cantar")

     O “Blues do Cachorro Magro” surgiu às 2h15 da madrugada, num verão da Praia de Baunilha, flutuando nos Ares dos Mares do RS, bem provavelmente, fevereiro de 2002. A Mamica dormia o sono dos justos no quarto ao lado e o Inventor do Vento dava seus primeiros mergulhos nas ideias da Modernidade, sentado com o violão e livros na mesa da cozinha.
    Esse blues canta de uma maneira impressionista (coisas da razão juvenil, evidentemente) e embaralha conceitos revolucionários para um nascente coração entre o anarquismo e o comunismo.
    No mínimo, um coração simpatizante das promessas dos Iluministas que inventaram, no século XVIII, a maior de todas as invenções humanas que é o sonho utópico da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade.
    O embalo da canção foi num blues roqueiro mesmo, pois afinal, a rebeldia irreverente e romântica do rock tal qual a negritude do blues um dia fizeram o mundo dançar e isto, por um lado, deu que o sistema capitalista também devorou todas as guitarras, gritos, tambores e piadas roqueiras cuspindo mais uma nova praga-mercadoria (a música pop), envelhecendo, talvez precocemente, essa manifestação musical; por outro lado, porém, o rock - filho do blues das encruzilhadas - despertou lá algumas consciências-cacholas mundo afora, semeando fagulhas críticas & pensativas…
     O “Blues do Cachorro Magro” foi parar, em 2016, no capítulo XI dos “Contos Pra Cantar”, páginas 54 e 55.
Oh yeaaaaah!


O BLUES DO CACHORRO MAGRO
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Nada de políticos, nada de tribunais
Nada de polícia, finanças ou capitais
Não importa se você é ateu ou é cristão
Não importa se você é um profeta ou um cagalhão
Não importa a sua cor, a sua dor, o seu nome
Chega de barreiras, chega de fronteiras, arrã!

A lei é uma só, só existe uma lei
O mundo é da gente e não pertence a nenhum rei
Não importa se você é hétero ou é gay
Faça a sua vontade e que a vontade faça o bem, arrã!

Reze para deus, reze para mim
Só não fique aí parado esperando que o mato cresça

Um tempo de mudança está solto no ar
Então é bom que a gente comece a pensar
Pense um pouco, um pouco diferente
E veja que o mundo, o mundo é da gente
Esqueça a tevê, esqueça o jornal
E veja as estrelas lá no alto a brilhar! IéIé!

Preste atenção à voz do coração
E veja se você é realmente o patrão
Preste atenção e olhe muito bem
Qual é o seu direito de querer mandar em alguém?

Sem essa de clonagem
Já basta sermos um
Pra que viver pra sempre sem chegar a lugar algum?
O homem mal sabe viver uma vida só
Imagine a eternidade, ah, tenha dó!

- O Homem é um bicho tão esquisito! Tá sempre procurando por respostas, mas não sabe nem por onde começar as perguntas! –



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cheirinho do Livro V dos “Contos Pra Cantar”



O PRÍNCIPE SAPO

(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

É difícil chegar / a qualquer lugar / sem ter de lutar
É difícil vencer / sem ter de perder pra aprender

Veja a donzela tão distante esperando o beijo do amado
O príncipe encantado / pode ser / eu ou você!

É difícil sonhar / sem ter de acordar / pra trabalhar
É difícil crer / sem poder ver...
Eu ouvi isso em algum lugar!

Veja a donzela tão distante esperando o beijo do amado
O príncipe sapo / pode ser / eu ou você!
(Livro V dos “Contos Pra Cantar do Inventor do Vento” – Exigir aumento do patrão)

*Gravada no Laboratório de Sons do Vento em Maio de 2017.
Foto por: Jujuba Negreiros

terça-feira, 16 de maio de 2017

Cheirinho do Livro III dos “Contos Pra Cantar”



Canção Pra Todo Mundo
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Esta vai pro senhor que vê estrelas em testas alheias
Esta vai pra senhora que acredita que demônios vagueiam na Terra
Mas esta vai pro comunista que diz que o capitalismo exterminou
até com os demônios

Esta vai pra morena que passa e com seu perfume me seduz
Esta vai pro carteiro que leva tantas cartas e não recebe nenhuma
Mas esta vai para os analfabetos que estão livres
das mentiras dos jornais

Esta vai pro capataz da obra que por fraudes não foi concluída
Esta vai pro moleque que joga bola esperando uma morada
Enquanto melhores condições de vida não vêm
Ele grita gol, ele grita gol, ele grita
(Livro III – Fazer um gol no futebol, p. 17)


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Cheirinho do Livro II dos “Contos Pra Cantar”


DESPETALADA ROSA
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Eu vi a rainha da bateria da escola de samba
E vi o cigano bailando e tocando tambor
Eu vi a criança que fazia castelos na areia
E a alegria estampada no rosto do menino que
salvava o seu chinelo do mar

Eu vi um pescador que pescava seus próprios pensamentos
E vi dois amantes idosos lentamente a caminhar
Eu vi o burguês que exibia seus inúteis talentos
E vi o vira-lata sarnento deixando
seus rastros na areia

Eu vi a despetalada rosa oferecida à Iemanjá
E vi a garrafa vazia de cerveja jogada na praia
Eu vi conchas brancas que suplicavam teu nome
E vi senhoras discursando sobre homens
na mesa do bar

Alcancei acalantos e cigarros ao pobre servo
E vi tristes traves vazias da goleira onde costumávamos brincar
Senti a tua doce presença na brisa que tocou em meus lábios
E me disse que esse mês de janeiro só restava agora
em nossos corações

* Livro II – Saudade duma coisa saudosa, “Contos Pra Cantar”, p. 13.

Cheirinho do Livro I dos “Contos Pra Cantar”


Dia Fora do Tempo (Pra Cavalgar o Vento)
- Letra, música, poema, voz & viola caipira: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento -

Hey garota vê se dança o bugio
Hey garota vê se agarra uma nuvem
Para o vento cavalgar

Hey garota todos têm os seus pecados
E garota um dia nós vamos pagar
Veja quanta incerteza no jeito desse povo olhar

Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Toda mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz

Hey garota veja o horizonte
É lá que eu ainda espero chegar
Segunda é sempre o melhor dia
Pra se ocupar em vadiar

Hey garota vamos decretar feriado
E deitar na grama pra se amar
Transformo tua beleza em melodia
E você belamente vai gostar

Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Toda mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz

Poema incidental – “Encantamento para dias sem vento”
Levanta a saia da vida – moça bonita, mas tão traiçoeira
Sopra as barbas do tempo: matá-lo antes que ele nos mate
Descabela a peruca da riqueza
(Exceto se for a riqueza de espírito)

Afaga o rosto das crianças e sorri com elas e chora também
Quando a fome bater, em noites sem Vento, e se sentir sozinho
Ladra com os cães
Pois
Não só no ar está a força divina

Pergunta sem medo:
É a ave quem se deixa levar pelo Vento ou é por causa dela que ele sopra?
Brisa assim o amor logo que deixarem a janela aberta
Roda o mundo
No bafo de menta da jovem na escola

Não há abrigo para qualquer tempestade que não esteja na própria tempestade!

Pois então sopra quando o Vento sorrir
Para cavalgar o vento – No dia fora do tempo
E ventila assim o inferno geral
em que
estamos
metidos.

(Gravada em Setembro de 2015, Laboratório de Sons do Vento)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Biblioteca nem sempre é lugar de silêncio

Os monstros TRAY, CUPINN e BICHÁ, famigerados devoradores de livros, após longa averiguação pela Praia de Baunilha e vizinhanças, constataram que, biblioteca, nem sempre, é lugar de silêncio: margem de rio em dia de pescaria, praia deserta no inverno, cemitério tirando fora feriado dos finados, quarto de hospital com gente só um pouco doente, templo budista e igreja menos em missa, conferência de surdos mudos - estes é que são lugares de silêncio. 
Bibliotecas nem sempre…

RECITAL PIMENTA COR-DE-ROSA
BIBLIOTECA SESC GRAVATAÍ/RS
08/03/2017

Lançamento do livro “CONTOS PRA CANTAR DO INVENTOR DO VENTO”
























Oiça o repertório do recital aqui: