segunda-feira, 14 de março de 2016

Três filmes sobre Lula

ABC em greve, 1979

Às vésperas dos 52 anos do Golpe Militar de 01/04 de 1964, que levou a cinco generais presidentes sem voto e 21 anos de regime militar no Brasil, que nos trouxeram consigo a modernização conservadora da pátria verdeamarela – 30 milhões de camponeses sem-terra em duas décadas, dominação das multinacionais na indústria, comércio e finanças – o CoV revê três filmes sobre o retirante nordestino, metalúrgico do ABC paulista, líder sindical preso pela ditadura, fundador do Partido dos Trabalhadores, deputado constituinte mais votado de 1986, presidente eleito e reeleito em 2002 e 2006: Lula da Silva!

ABC da greve: Dir. de Léon Hirzman, 1979.


Entreatos: Dir. de João Moreira Salles, 2004.


Lula, o filho do Brasil – Dir. de Fábio Barreto, 2010.


sexta-feira, 11 de março de 2016

Dupla caipira “Marx & Hegel” faz sucesso na Alemanha regravando CoV


A dupla caipira “Marx & Hegel”, formada em 1837, ainda antes de Marx conhecer o jovem talentoso Engels (hoje em carreira solo, voltada à música eletrônica) – e formar o famoso trio folk “Marx, Hegel & Engels” - está fazendo o maior sucesso na Alemanha, ao regravar o baião “Diga Cá”, escrito pelo Inventor do Vento, C. A. Albani da Silva, em 2011. Confira a versão original da música em português:



terça-feira, 8 de março de 2016

Mamica

Mamica, c. de 1974

No Dia das Mulheres, este Inventor de Ventos canta sobre a Maria mais importante de todas!

É de Maria que falo é pra Maria que canto
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Se for segunda o bife é à milanesa
Ferve a lentilha que espanta a fome e a tristeza
Foi-se o domingo que começou na Cachoeirinha
Ou lá na barra do Tramandaí
Na tela o Silvio antes de um beijo de boa noite
A casa limpa pra receber a luz do sol
E colorir de artesanato o chão, a mesa
Pano de prato e o banheiro, com certeza
Ainda menina, cabelo ao vento, encaracolado
De campo e mata e de cascatas em Santo Antônio
Os 15 irmãos, o bergamasco com os pais e as tias
Tem pés na sanga e um medo louco de temporal
Desceu do morro pra esse vale cheio de indústrias
Seus olhos verdes viram a luz da noite elétrica
Aos 11 anos deixou a escola pra faxinar
A tantas casas que só a ela coube limpar

É de Maria que falo
É pra Maria que canto

Aos 19 foi operária de bola e latas
Para o azeite e a árvore dos Natais
Chegada a hora, na domingueira da Jovem Guarda
Um cara magro pegou seu braço e a levou pro altar
Corria rápido o mês nove de ´76
A ditadura rolando solta aqui outra vez
E a Maria, recém-casada, peregrinava
Atrás do lar que o manto da Virgem abençoava
Viriam logo os primeiros dias pela COHAB
Hoje incontáveis quanto os verões lá de Baunilha
Plenos de vento, de chocolate e maresia
Secreto amigo e de lambari, as pescarias
O primeiro filho veio no tempo das vacas magras
Isso que o esposo as madrugadas ele varava
Fazendo bombas e geringonças na metalúrgica
Ainda assim curaram a asma do pequenino
Em 09 anos chegava ao mundo o seu caçula
Naquele outono, 22, de utopia
Levá-los todos para o colégio de mãos dadas
É a merenda, feita com esmero, pra criançada
A história vai pro “digodieime”, pro futebol
Pintou o rock e outras formas de fantasia
Com namoradas, na faculdade, era sempre a Maria
A esperar, vigilante, pelo portão
Às vezes braba: fazer dos jovens homens feitos
Só pra sentir falta da infância deles depois
Mas não importa, o cafuné continuará
Nos pés, na alma, sempre que a gente precisar

É de Maria que falo
É pra Maria que canto

Teu amor é a flor do quintal
Tu és a flor do nosso quintal
Não há dor que murche o jardim
Pois o nosso amor não tem mais fim

É de Maria que falo
É pra Maria o meu canto







segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

1ª Roda De Som – Cavalgando o Vento (POA/RS)

           
            A 1ª Roda de Som do projeto cultural Cavalgando o Vento (CoV), em Porto Alegre/RS, vai acontecer no próximo sábado: 05/03. Vamos comemorar os 04 anos do projeto e os dois anos de gravação do primeiro CD!
            Vai ser tudo desplugado, ao ar livre, espichando nosso lençol musical pertinho do Brique e do Monumento ao Expedicionário no Parque da Redenção.
            Por isso, leva tua cadeira, teu poema e chimarrão, uma rapadura e até o cusco velho porque vai rolar um punhado de canções autorais:
             Desde antiqualhas como “Você se chama ninguém”, dos tempos da banda Madame Satã (2004):   


      Passando por sons do CD de 2012 como “Quando o Vento sorri” e “Até Breve”:



  Por canções do “Laboratório de Sons do Vento” como “A Guria da Livraria” (2015):


      E até velhas novidades como “Nos cus de Judas (encontrei anjos e arcanjos)” que começou a ser escrita em 2001 e ficou pronta só agora!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Praia de Baunilha - Ao Sul de Moçambique (Versão Bolha de Cerveja)

Giulio Aristide Sartorio, A Sereia, 1893


Esta vai pra todos os amigos que veraneiam no Balneário Pinhal, Cidreira, Cidrilha, Praia de Baunilha. Porque se o mar é de chocolate, a Praia é de Baunilha!

Praia de Baunilha – Ao Sul de Moçambique
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Passa lenta a noite aqui em Cidrilha
Onde a praia, a areia e o vento são de baunilha
Quando acaba o ano alguns se reencontram
Na beira do mar

Há casais dançando, rosto a rosto amando
Têm poucas semanas para descansar
Assim segue a vida, o verão abriga
E obriga a recomeçar

Bate o Sol na Costa, na Costa do Sol
Poucas moças lindas, ainda assim não finda
O amor como um farol

Cidrilha, baunilha, planície e mar 
De chocolate
O verão não queima tanto assim
Entre um chimarrão e o cão que late

Pro vizinho antigo que larga tudo
Só pra relembrar
Contos de pescarias em que deus se confundia
Com a água do mar

À sombra de um pinheiro, janeiro e fevereiro
Secretas emoções que não cabem em canções
Lá no frio do inverno


P.S.: Uma vez Teixeirinha (1927-1985) cantou sobre Capão da Canoa. Já o CoV canta sobre a Praia de Baunilha, que fica ao Sul de Moçambique: lá onde todas as ruas, esquinas, praças, padarias e açougues têm os mesmos nomes e a mesma arquitetura das ruas, esquinas, praças, padarias e açougues de onde Balneário Pinhal e Cidreira se encontram, no litoral Norte do RS.

Ficha técnica da canção:
Letra, música, voz e violão: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento
Teclado e vocais: Mick Oliveira

Gravada em 2015 no Laboratório de Sons do Vento

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Para quando Alice acordar: 150 anos do livro “Alice no País das Maravilhas”

Peter Newell, Alice in Wonderland, 1890 
                                  
         Em 1865, portanto, há 150 anos, na Inglaterra, o professor, matemático e entusiasta da fotografia Charles Lutwidge Dogdson, conhecido como Lewis Carrol (1832 – 1898) lançou o mais estranho e fascinante dos livros para crianças: Alice no País das Maravilhas.
        Em 1871, foi a vez de bolar uma continuação: Alice do outro lado do espelho.
        Descendo pela toca do Coelho Branco com Alice encontraremos sonho, surrealismo e muitos personagens legais.
         Cavalgando o Vento canta então um pouco desse universo fantástico em “Para quando Alice acordar”. 

Para quando Alice acordar
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

O Mestre Gato sumiu
Com a cartola do Chapeleiro que
Ficou doido

O Chapeleiro chamou
A Lebre Louca pra beber um chá
De desaniversário

A Lebre Louca quem viu
Um Coelho apressado
Procurando a sua Rainha

Sonhar não custa nada
Então aproveita que é de graça
E enquanto dorme

O Coelho Branco tocou
A corneta pro Exército do naipe
De Copas

O batalhão de cartas se embaralhou
Ao pintar a roseira branca
De carmim

Da roseira saiu
A Lagarta Azul que ofereceu conselhos
Ao Tweedlee Dee

Sonhar não custa nada
Então aproveita que é de graça
E enquanto dorme

O Tweedlee Dee não sabia
Se era ele ou Tweedle Dum
Quem sabia

Da história da Morsa faminta
E seu amigo ainda mais faminto
O Carpinteiro

O Carpinteiro lembrou
Do banquete de ostras que
A Morsa devorou

Sonhar não custa nada
Então aproveita que é de graça
E enquanto dorme

Uma flor do jardim cantou
A pedidos
Da ave Dodô

O Dodô dançando fechou
A boquiaberta
Da porta

O negócio às vezes é
Encolher
Pra depois se espichar

E Dinah ronronou
Quando Alice acordou
De mais um sonho febril
Ah! De mais um sonho febril

Para quando Alice acordar (4x)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Dois anos lançamento CD "Cavalgando o Vento"

      Há dois anos, na noite de 14 de dezembro de 2013, o projeto cultural Cavalgando o Vento (CoV) lançou seu primeiro álbum de canções no Estúdio LACOS, Cachoeirinha/RS. Foram dois anos intensos produzindo e gravando as 13 músicas que integram o CD.
        Muita coisa aconteceu de lá pra cá, mas seguimos sempre cavalgando o vento! E que venham mais canções, textos, vídeos, apresentações, parcerias, pois assim ventilamos o Inferno geral em que estamos metidos.
        Abaixo, vídeo com alguns dos melhores momentos do show de lançamento e a playlist no YouTube com todas as músicas do CD.

         Bons ventossss! Vuuuuush!

Ouça todas as 13 faixas do CD aqui: CoV (Full Album)


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Jacinto viu sombras de reis barbudos (100 anos de José J. Veiga)

José J. Veiga, Sombras de reis barbudos, romance de 1972


José J. Veiga (1915 a 1999)
Real & irreal
Traz na sola do sapato o chão do meio rural
Na ponta da caneta
Pequenas cidades interioranas
Em Goiás: No sertão de Goiás
O curral, o rio, a pescaria e a caçada
De uma sociedade arcaica e opressora:
Homens que decidem, mulheres que se calam
E as crianças também
Aprende-se o luto e não o amor
A tecnologia, por si só, não traz um sentido pra nada
Mas traz intermináveis tarefas

Não tinha como ser lírico
Após o Golpe de ´64
E a ditadura militar que seguiu por 20 anos...

Vida que é feita com tijolinhos de cotidiano
Tijolaços de insólito

Cruzar a ponte
Subir ou descer a montanha
Margens de rio atravessadas
Estradas, fronteiras que nem sempre se encontram logo ali

“Quem mostrar sinais de medo estará perdido na estrada”

É por meio de provérbios & crenças que falamos
Na hora da travessia
As moedas podem não jorrar da terra
Mas as histórias, sim

Que é progresso que é poder nesse mundo moderno?
(A resposta é cruel e sem sentido a resposta é mágica)





                                  


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Três sambas do CoV

Leandro Vieira, Figurino criado para destaque central de alegoria Carnaval RJ, 2012

Ary Barroso (1903 a 1964) visitou a Bahia, pela primeira vez, num 02/12 de 1960 e poucos. Foi na baixa do sapateiro baiano atrás da mulata mais frajola que por lá vivia em 1938.

Pra esse Dia do Samba então, três sambas do CoV: um electro semba em “Nana Samba”; uma guajira cubana que virou samba soul em “(Guajira) Para os Novos Tempos” & o samba torto de “Fiquei olhando as nuvens do céu”.                                   



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Chinoca que não fez CTG

José Lutzemberger Pai, Conversa de comadres, c. 1935


Chinoca que não fez CTG
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Chinoca que não fez CTG
                                               Te vi
                                               Logo ali
                                               Na Praia do Pinhal
                                               Tua mão macia
Ao vento oriental

Chinoca que vota no PT
                                               Seu pai mente
                                               Descaradamente
                                               Pra afastar a gente
                                               Mas está doente quem não namora um
Tiquinho

            É só não contar nada pra ninguém
            Chinoca bem linda
            Se eu entrar no teu quarto
            (No bolso amarelado da camisa mal passada)
            [Trago um trevo de boa sorte: Boa sorte!]

Chinoca que não fez CTG
                                               Até as flores que roubamos
                                               Ficaram mais cheirosas de manhã
                                               O sol de Páscoa mais aclareado ficou
                                               Quando soube que tua seda cobriu
Meu couro

Chinoca coisa benlinda
                                               No teu pomar dá butiá
                                               Que eu sei
                                               Graça súbita
                                               Colher o butiá e fazer amor
                                              
Não te disse que nada disso era
                                               Pecado?
                                               Pecado
Não te disse que nada disso era?


            É só não contar nada pra ninguém
            Chinoca bem linda
            Se der pra colher no teu jardim
            (No bolso amarelado da camisa mal passada)
            [Trago um trevo de boa sorte: Boa sorte!]



                                              


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Jimi "Guitarra Negra" Hendrix


Ouço meu trem chegando
(Jimi Hendrix / Tradução livre: Albani, o Inventor do Vento)

Ouço meu trem chegando
Ouço meu
Ouço meu trem chegando

Espero rodeando a estação
Esperando o trem certo
Pra me levar
Me levar
Me levar embora dessa cidade vazia
Oca vazia

Ruim pra dedéu
Tu não me amas mais, guria
Ruim pra dedéu
O povo daqui me chateia

Lágrimas me queimando
Rolando dos meus olhos
Rolando
Rolando da minha alma
Lágrimas queimando rolando
Meu coração

Ruim pra dedéu
Tu não me amas mais, guria
Ruim pra dedéu
Tu e eu temos que nos separar
Separar


Ouço meu trem chegando...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Brecht por esses dias

Raoul Hausmann, O espírito do nosso tempo, 1919

Poema da primeira parte, “Manual de guerra alemão”, do livro “Poemas de Svendborg”, escrito por Bertolt Brecht (1898 a 1956) em 1939. O tema é o mesmo que fundamenta seus textos teatrais: a luta contra o nazismo!

Meu general, vosso tanque é poderoso,
Destrói uma floresta, esmaga cem homens.
Mas tem um defeito:
Precisa de um motorista,
Meu general, poderoso é o vosso bombardeiro.
Mais rápido que o ciclone, mais forte que o elefante.

Mas tem um defeito:
Precisa de um motorista.
Meu general, pode-se obter muita coisa de um homem.

O homem sabe roubar, sabe matar.
Mas tem um defeito:
O homem sabe pensar.