sábado, 10 de outubro de 2015

Playlists "Canal CoV" no YouTube


No canal do CoV no YouTube dá pra gente cavalgar o vento com as seguintes playlists:

CD CoV (Álbum Completo): Ouça as 13 canções do CD finalizado em 2013 e ventile o Inferno geral em que estamos metidos nesse mundo velho medonho maluco.

Laboratório de Sons do Vento: O estúdio do Albani e as produções artesanais do seu selo de canções.

CoV Ao Vivo: Soprando bons ventos poéticos em saraus, feiras de livro, escolas, programas de rádio e TV, ensaiando na lavanderia, cantando com as crianças aonde o vento nos levar.

Núcleo de Cinema: O Núcleo de Cinema da EMEF Alberto Pasqualini, Gravataí/RS, produziu, entre 2013 e 2014, o divertido clipe “Pobres Moços” em homenagem aos 100 anos do criador da dor de cotovelo – Lupicínio Rodrigues e o curta “A história que não vivi” sobre o despertar da sexualidade na adolescência.

Banda Madama Satã: A maior banda da galáxia, do Gravataí para o cosmos infinito: roque enrow desde 2001!


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Dia Fora do Tempo (Pra Cavalgar o Vento)



Dia Fora do Tempo (Pra Cavalgar o Vento)
- Letra, música, poema, voz & viola caipira: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento -

Hey garota vê se dança o bugio
Hey garota eu não sei dançar
Hey garota vê se agarra uma nuvem
Para o vento cavalgar

Hey garota todos têm os seus pecados
E garota um dia nós vamos pagar
Veja quanta incerteza 
No jeito desse povo olhar

Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Todo mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz

Hey garota veja o horizonte
É lá que eu ainda espero chegar
Segunda é sempre o melhor dia
Pra se ocupar em vadiar

Hey garota vamos decretar feriado
E deitar na grama pra se amar
Transformo tua beleza em melodia
E você belamente vai gostar

Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Todo mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz

Poema incidental – “Encantamento para dias sem vento”
Levanta a saia da vida – moça bonita, mas tão traiçoeira
Sopra as barbas do tempo: matá-lo antes que ele nos mate
Descabela a peruca da riqueza
(Exceto se for a riqueza de espírito)

Afaga o rosto das crianças e sorri com elas e chora também
Quando a fome bater, em noites sem Vento, e se sentir sozinho
Ladra com os cães
Pois
Não só no ar está a força divina

Pergunta sem medo:
É a ave quem se deixa levar pelo Vento ou é por causa dela que ele sopra?
Brisa assim o amor logo que deixarem a janela aberta
Roda o mundo
No bafo de menta da jovem na escola

Não há abrigo para qualquer tempestade que não esteja na própria tempestade!

Pois então sopra quando o Vento sorrir
Para cavalgar o vento – No dia fora do tempo
E ventila assim o inferno geral
em que
estamos
metidos.
(Gravada em Setembro de 2015, Laboratório de Sons do Vento)




domingo, 20 de setembro de 2015

Baú de Sons Banda Madame Satã: Já dormi em cemitério (Gildo de Freitas)

Gildão com curupaco no ombro, c. 1965


Já dormi em cemitério
(Gildo Freitas, 1919 a 1982)

Esta mania de pessoas antigas 
De dizer que ai lugares metidos a assombrados 
Eu por exemplo sou gaúcho e não creio 
Até em cemitérios já tenho posado 

Ainda estes dias se deu um caso sério 
Disparei da polícia e fui dormir no cemitério 
E eu por lá passei a noite descansado 
Porque não vi polícia e nem delegado 

Eu tenho medo só de gente viva 
Pela mania que as pessoas têm 
De gente morta eu não tenho medo 
Porque os coitadinhos não fazem mal a ninguém 
(Recriada em 2004 pela banda Madame Satã, Gravataí/RS)

domingo, 13 de setembro de 2015

Até Breve

Alice Soares, Menina, 1964 


Até Breve
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Refrão:
Foi num domingo de verão em que você me disse adeus
E eu lhe disse que isso não passava de um “até breve”
Mas a saudade foi tomando conta do (nosso) coração
Foi quando fiz esta canção para as horas tristes e alegres

Por isso lembre dela quando tiver medo
Lembre dela antes de dormir
Lembre naquelas horas tristonhas
Lembre dela tirando remela dos olhos ao acordar

Por isso cante quando se sentir insegura
Cante debaixo do chuveiro
Cante para todo mundo ouvir
Cante, cantando assim

Por isso pense nela e com ela pense em mim
Pense nela quando esquecer de todo o resto
Pense nela passando batom
Pense nela, comemorando bela, um gol!


*Oitava faixa do CD do CoV, gravada em março de 2012 no Estúdio LACOS, Cachoeirinha/RS: Albani (voz, violão, harmônica e percussão), Mick Oliveira (violão solo, vocais de apoio), Cleiton Amorim (produção).



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sarau CoV "Pimenta Cor de Rosa: Mulheres no Tempo" (Playlist)

Hilda Dallas, Poster, 1909


Playlist no SoundCloud pra cantar com o CoV sobre as mulheres no tempo: lutas políticas, paixões, feminilidade, o machismo, a maternidade, sagrado feminino de todo dia em muitas eras que o dia passa devagarzinho e as eras muito rápidas.

Adaga de Prata (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Composição de 2013, também registrada ao vivo no programa Estação Cultura da TVE (abril de 2014). Inspirada em muitas mitologias e na simbólica figura da moça que decide morrer virgem por enxergar só maldade nos homens.

Diga Cá (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Baião que está na quinta faixa do CD do CoV (finalizado em 2013). A pergunta é para as mulheres (lavadeiras, faxineiras, estudantes, jornalistas, jogadoras) sobre o que faz a diferença no Brasil do século XXI?

História que não vivi (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Escrita para o curta metragem estudantil homônimo, em 2013, esta balada traz um intenso diálogo entre um papai que vê a filha ainda bonequinha e a filha adolescente que sente na carne e no coração o despertar da sexualidade.

Colar (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Nesta canção, a sombra de uma rapariga em flor deflagra versos líricos para uma beleza brejeira barroca que virou canção e depois livro. Terceira faixa do CD do CoV (2013).

A Guria da Livraria (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Falando em livros, só deixem em paz a guria da livrariaaaaaaa!

Verônica (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): A Verônica que chutou o balde, virou a mesa, deixou de fazer as coisas que sempre fazia. Reforço do Mick Oliveira nos teclados em mais um capítulo dos Concertos do Vento para Piano & Voz.

Mulheres de Atenas (Chico Buarque & Augusto Boal): O machismo de Atenas perdura da Antiguidade até ontem. E nos vocais de apoio uma Amazona: Aline Albani. Gravação no Acústico Maresia, Navegantes de 2014, Praia de Baunilha.

Capitu (Luiz Tatit): A mais famosa e enigmática personagem da literatura brasileira: Capitolina Rodrigues apareceu no livro “Dom Casmurro” (1899) de Machado de Assis e ninguém mais se esqueceu dela. Nem mesmo na era da internet.

Acorda, Maria Bonita (Antonio dos Santos, o cangaceiro Volta Seca): Nas sociedades pré-industriais o papel econômico da mulher era indissociável do papel do homem: a casa, a prole, o campo eram uma unidade e o machismo era diferente dos dias posteriores à Revolução Industrial onde a mulher foi sendo inferiorizada por seu trabalho doméstico ser pouco, ou nada, remunerado.

 A Deusa dos Orixás (Clara Nunes desde um ponto de terreira): Triângulos amorosos de verdade possuem a fórmula 2v + 1d = 2 x 0: dois varões mais uma dama = um casal feliz vezes um solitário chupando dedo na falta de coisa melhor, como manga, por exemplo. Isso acontece seja com gente ou orixá: Ogum x Xangô + Yansã.

É de Maria que falo é pra Maria que canto (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Em cinco minutos a história da vida da mulher mais importante da vida do Inventor do Vento: a Mamica! É pra ela que canto! Vuuuuuuuush!

 Show das Poderosas (Anitta numa versão 1001 noites árabes com Vento): Sherazade pode ter sido a primeira poderosa da História. Ao menos é personagem duradoura, de um jeito ou de outro, até os dias que seguem e quase ninguém sabe onde irão dar.

sábado, 29 de agosto de 2015

Resenhas da Aline - Livro 02: Americanah



No meu último aniversário recebi de presente o Americanah das mãos de uma baita amiga que me disse: é um romance, a autora é nigeriana e feminista, acho que irás gostar.
Já tinha ouvido falar da Chimamanda Ngozi Adichie, mas ainda não tinha lido nada dela. Fiquei tomada pela curiosidade e ansiedade para iniciar a leitura então logo abandonei o que estava lendo na época e me deixei levar pela narrativa incrível desta mulher maravilhosa.
O livro conta a história de Ifemelu, uma garota nigeriana que devido às recorrentes greves na sua universidade, muda-se para os Estados Unidos para estudar.
A protagonista torna-se uma imigrante e essa trajetória dela é o grande fio condutor do romance.
A narrativa inicia-se com o retorno dela à Nigéria e no decorrer dos capítulos acompanhamos seu caminho entre os Estados Unidos e seu país de origem.
Ifemelu é uma mulher inteligente, sagaz, cativante e questionadora. E devido a este tipo de personalidade, a narrativa consegue abordar muitos problemas pertinentes à nossa sociedade. Exemplo disso é a questão racial: até sua chegada aos Estados Unidos Ifemelu não se enxergava como negra, mas logo se depara com a realidade da discriminação racial que não existia para ela até aquele momento.
 Para mim, um dos trechos mais emocionantes do livro se dá na descrição do processo que culmina com a eleição de Barack Obama como presidente norteamericano. É muito interessante ver através dela o sentimento de esperança que inundava muitas pessoas naquele contexto!
O livro nos traz reflexões importantes, mas de forma natural, mostrando o quanto essas questões estão presentes no nosso cotidiano.
Além da ponte entre os EUA e a Nigéria, posso dizer que foi muito bom ler uma narrativa que descreve um país do continente africano, na qual é possível identificar alguns de seus costumes, sua divisão étnica, além de imaginar suas cidades e aldeias.
É necessário que façamos o rompimento com aquela visão preconceituosa e limitadora que tivemos do continente africano na escola ou nas mídias na qual a África era representada de uma forma única, sem a diversidade cultural, étnica, social e política que tem.
Acredito que ler autores de diversas etnias africanas é um começo para esse processo que só irá nos enriquecer. E começar com este livro vai ser um prazer, te garanto!

Título: Americanah
Páginas: 516
Lançamento: 2014
Editora: Cia das Letras
Tradução: Julia Romeu
Resenha: Aline Sparremberger

De trilha sonora, vamos com poema de Solano Trindade, “Sou Negro”, musicado pelo Inventor do Vento em 2013. Em seguida, inevitável ao se tratar da Nigéria, a “água que não tem inimigos” de Fela Kuti e sua banda Afrika ’70.



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Canção do ex-mágico

Sylvain Chomet, O mágico, 2010

Canção do ex-mágico
(C. A. Albani da Silva – livremente inspirada no conto “O ex-mágico da taberna Minhota”, Murilo Rubião, 1949)

Ele não nasceu nem morreu
Não estava preparado para sofrer
(Como eu e você)

Quando viu tinha os cabelos grisalhos
Público funcionário
(Entediado)

O ex-mágico da Taberna Minhota
Fazia truques sem saber como ou por quê
(Mas queria saber)

Retirava empresários do bolso
Coelhos, lagartos e cobras do chapéu
(Vivia ao léu)

No circo agradou multidões
Mas também arrumou confusões
O cadarço que virou serpente
Ele nunca consigo contente

Por isso tentou o suicídio
Mas devorou os próprios leões que dos bolsos tirou
(Só teve dor de barriga)

A pistola virara um lápis
Desde a serra saltou pelos ares
(Mas se salvou)

Foi quando entrou pro emprego público
Pensando assim morrer lentamente
(Lá se apaixonou)

Inclusive compôs poemas de amor
Para os seios da sua colega datilógrafa
(Que o rejeitou)

Tentou enganar o patrão
Pra evitar a sua demissão
Mas perdeu o dom da magia
Atolado na burocracia

Só entendeu seus poderes mágicos
Depois que os deixou para trás
(Sozinho estás)

Agora fica lamentando
Por um tempo que não volta mais
(E ele não aproveitou)

*Participação especial: “Alemão” Cristiano no cajón
**Gravada em 28/07/2015 no Laboratório de Sons do Vento

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Pontos de Vista

O ponto de vista do canário da terra, Praia de Baunilha, verão de 2014


PONTOS DE VISTA
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)
* Com a participação especial da cantora Fernanda Estevão nos vocais

Disse o Zezinho: “Pra que saber o sujeito da oração, quando eu sei que é a minha mãe quem reza por mim enquanto vendo bala na estação?!”

Disse a Mariazinha: “Pra que saber se o Teorema é de Pitágoras se, na minha mesa, como as migalhas de um velho pão com água?!”

Disse o triste Luís: “Por qual motivo estudar todas essas guerras, se, aqui no morro, cada guri é um soldado da favela?!”

Refrão: Eu aprendo tantas coisas vivendo
             Que a escola já não pode me ensinar
             Os franceses que fiquem com as suas Revoluções
             Pois eu tenho a minha “mina” e ela tá louca pra deitar...

Disse o Cambotinha: “Não me diz nada esse tal Hino Nacional! Prefiro algo na minha língua: Rap, Funk, Rock, Pagode, Samba ou outra batida legal!”

Disse a Professora: “Ganho tão pouco, como posso melhorar? A culpa é dos próprios ‘maloqueiros’ que nem tentam ao menos me escutar!”

Disse o Gerente do Banco: “Este mês me assaltaram outra vez! Quando vão dar um fim a essa cambada de ‘pés-rapados’ de uma vez?” 

Refrão

Disse o Secretário da Cultura: “O problema é com a Educação! Dirija-se ao próximo Gabinete, mas antes retire a sua ficha no balcão”.

“Depois das férias, temos um pleito, é só a Câmara aprovar, passar pelo Governo do Estado e aos Deputados a reforma retornar”.

“Mas aí temos outro recesso, e como já vem o fim do ano outra vez, deixamos pra depois do Carnaval pra sancionar essas ilegíveis Leis”...

Só não esqueça (Passe por cima dos outros)
Só não esqueça (Deixe os velhinhos banguelas)
Mas não esqueça (Faça filhos por aí)
Só não esqueça (Leia poemas de amor)
Mas não esqueça (Dê toda sua grana para o pastor)
Mas não esqueça (Torça pela Dupla Grenal)
Só não esqueça (Especialmente no ano eleitoral)
Só não esqueça a minha legenda

Ficha Técnica:
C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento: Letra, música, voz, violão e harmônica
Mick Oliveira, o Profeta do Vento: Guitarras
Fernanda Estevão: Participação Especial - Vocais
Daniel "San": Baixo, bateria, teclados, percussão
Luan Henrique: Técnico de áudio
Cleiton Amorim: Produção
Nona faixa do álbum "Cavalgando o Vento" (CoV), lançado em dezembro de 2013 com apoio do Fundo da Cultura de Cachoeirinha/RS (FUCCA).
Gravado no Estúdio LACOS, Cachoeirinha/RS, entre julho de 2012 e agosto de 2013.

sábado, 8 de agosto de 2015

Lavoura de Morangos Eterna

Don Wood, O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, 1984


O encontro da Jovem Guarda com o Roque Rural aconteceu no Laboratório de Sons do Vento em tarde tri quente do inverno tri frio do RS. Tudo, tudo (letra, música, guarda, jovem, roça e roque) inspirado em “Strawberry Fields Forever”, The Beatles, 1967.


Lavoura de morangos eterna -

Deixa eu te levar
Queu já tô me indo
Pra lavoura de morangos que
Plantei de mentirinha
Hora de colher ou arar
Minha lavoura de morangos eterna

Plantar tá fácil pra quem não
Não tem a enxada na mão
O meu trator ficou velho, está cansado
De jogar o sal na terra

Nenhum pé você encontrou
Nenhum pé maduro ou verde
O pomar dos sonhos do pobre lavrador
Virou pasto de um boi contente

A flor que o manacá deu
Só tu na roça apercebeu
Ocupei teu sítio pra semear e semeei
Morangos vermelhos engalanados
(Voz, violão, letra e adaptação musical: Albani, o Inventor do Vento)