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quarta-feira, 23 de junho de 2021

RECADO da MENINA e da GIRAFA aos BARBADOS

 


RECADO da MENINA e da GIRAFA aos BARBADOS

A violência contra as MULHERES se agravou ainda mais nesse último ano de pandemia.
O sentimento de posse que alguns homens desenvolvem contra suas ex-namoradas ou ex-esposas resulta, muitas vezes, na tragédia do feminicídio – quando agressões levam uma mulher à morte.
O machismo é um desafio para todos superarem com educação e uma nova cultura de paz nos relacionamentos: mulheres conquistando maior conscientização contra relacionamentos abusivos (marcados por crises de ciúmes, ofensas, desconfianças e ameaças) e homens que precisam abandonar já hábitos grosseiros de humilhação, exploração e menosprezo pela vida feminina e pela vida em geral.
Qualquer relação só é plena e amorosa quando ocorre CONSENTIMENTO entre todos os envolvidos, ainda mais em um casal. Se um lado não está mais disposto a seguir um namoro ou casamento é preciso paciência da outra parte e entendimento que, apesar das frustrações, a vida deve seguir e muitas outras pessoas interessantes existem por aí que ainda não conhecemos.
Nada justifica atos de violência por paixões fracassadas, nem mesmo traições ou desentendimentos superam a brutalidade de acabar com a vida de alguém.
All we need is love / Love is all we need
Vuuush
(Menina do Colar e a Girafa Elétrica)

terça-feira, 2 de julho de 2019

LUGAR DE MULHER ONDE É?



LUGAR DE MULHER ONDE É?
(c. a. albani da silva, o inventor do vento)

Era uma vez uma MULHER que dizia que havia despencado num fundo poço. Isto aconteceu entre a segunda e uma quarta-feira do ano de 1700. Ela trazia um balde, mas a roupa suja se extraviou pelo caminho, nessa viagem no tempo que a jogou em 2013!

A mulher lembrou do mapa que ganhou do seu esposo, quando casou com ele na feira de São Roque. Muito perdida, ela deu de si e desembestou a procurar os antigos lugares onde as mulheres da sua terra levavam a vida.

Nessa cidade louca, grande de capitalismo, onde foi parar, quem sabe no século XX ou XXI, o dinheiro compra, vende, atiça, acalma e só alguns loucos não compram, não se vendem e sem dinheiro se acalmam.

A mulher se viu sozinha, mas foi uma menininha quem disse moça, tu tá perdida, posso lhe ajudar? Pegue na minha mão, vamos ler esse mapa...

Aqui manda atalhar por uma cozinha!?! 'Cê tá com fome, moça? Eu te mostro o forno de micro-ondas! À direita do seu mapa antigo tem um tanque com roupa suja!?! Mas quem te deu esse mapa era um bayta de um porcão, hein! Ainda bem que a lavanderia fica logo ali na outra esquina. Aliás, na mesma rua da minha amiga que é tatuadora.

Com isso tudo a viajante no tempo ficou confusa, pois não havia nada disso lá na sua era. Ela se admirou muito com a máquina de lavar e ouviu até o som do apito da fiscal de trânsito. Boquiaberta ela viu nascer das nuvens um avião, a dona aviadora inclusive lhe acenou, jogando um livro de uma moça tal de Valentina, a cosmonauta russa que se foi pro espaço. E a menininha lhe explicou o que é um foguete. Enquanto isso, gurias lindas lutavam boxe, jogavam bola, no terraço alto de um edifício quase no céu. Lá embaixo as vovozinhas protestavam, pelos filhos mortos nos dias tristes da ditadura militar!

E eu nem sei ler, ela disse, a camponesa antiga, e segurou o livro de cabeça pra baixo. Não é um problema, a outra, a guriazinha do futuro, respondeu, pois há vagas na minha escola. A professora é muito querida, vai fazer questão de te ensinar as primeiras letras. Na guerra até foi ela quem anotou, as últimas palavras do soldado que morria.

Enquanto isso pifou um carro na avenida, chamaram logo a mecânica pra apertar as rebimbocas, os parafusos e os lalalás. Já uma skatista voava baixo, pois o seu amigo era pai solteiro que ficou sem fraldas para o nenê. A guriazinha se lembrou até de lhe contar, à mulher de 1700, da sua tia que se casou com outra tia. Foi quando um machista velho ouviu e berrou desde a esquina:

MULHER EM FOTO SÓ SE FOR PELADA MESMO!

A menina, gentilmente, respondeu com o seu dedo do meio e lhe jogou na cara, na cara do machista, três belas fotografias: mostrando o jeans rasgado de Ana Caninana, mostrando o preto véu de uma pacifista afegã, e mostrando Carmenzita, a cadeirante que era a sua irmã.

A viajante no tempo saiu do poço transformadamente, pois sua mente nova ficou em pane por algum tempo. Ela rasgou o mapa do marido com os lugares de mulher e se foi pensando, de volta no tempo, para casa, procurando onde é que é?
(Playlist do Livro “Contos Pra Cantar”, #27, página 55, capítulo XI, “Traçar planos impossíveis só pra acreditar neles”).


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

#11 VERÔNICA


PLAYLIST do LIVRO
CONTOS pra CANTAR do INVENTOR do VENTO

#11 VERÔNICA

Verônica é uma personagem quixotesca
Louca na sua lucidez para os que olham de fora
E não vivem suas lutas e sonhos
Tal qual o Cavaleiro da Triste Figura
De Miguel Cervantes em 1615.
Verônica é
Uma das personagens mais importantes
Do Recital PIMENTA PINK
Onde canto somente as personagens femininas
Do livro CONTOS pra CANTAR
E para ela
(Que pode ser eu ou você também)
O esforço é para virar a mesa da
Cultura machista em que foi criada
Chutando o balde da “mística feminina”
Que faz de muitas mulheres
Escravas santificadas do lar e dos filhos
Como disse Betty Friedan em livro de 1964
Ou Simone de Beauvoir disse
No livro “O segundo sexo” (1949)
Em que podemos lembrar (aprender?) que
O corpo pode nascer com o sexo masculino
E com o sexo feminino, sim
Mas o uso dele, os símbolos que irão preenchê-lo
(Roupas, posturas, comportamentos, crenças)
As práticas de vida, em resumo
São construções conscientes e inconscientes
Tentando ser dignas ou simplesmente sendo
Estúpidas como as que transformam as mulheres
Em bundas e peitos para deleite dos machos que
Não choram e disparam suas arminhas
Ou santas assexuadas prontas para cozinhar
Para os machos que colonizam as suas mães.
*
A letra de VERÔNICA é de 2006
(Não me lembro direito,
Na real, o ano em que escrevi)
Mas todo ano toco de um jeito diferente
No piano, acústica, elétrica, lenta, rápida…
Em fevereiro de 2008
Num ensaio maravilhoso
Pude contar com o sax & flauta do Stanis Soares
E a batera do Alemão Cristiano
Depois encorpei a canção com overdubs:
Um coral anárquico como o vento
Um baixo vintage velha guarda
Dando uma cara tipo “ao vivo no bar”
Entre a The Band do Bob Dylan
E o Clube da Esquina do Milton...
(Claro, para o meu ouvido a la Verônica:
Quixotesco).
Vuuuuush
*
VERÔNICA
*Quixotismos
(c. a. albani da silva, o inventor do vento)

Ela já não pensa em marido
Ela já deixou o seu partido
E agora já não segue nenhum deus

Ela largou o clube feminino
Ela chamou o patrão de cretino
Já não torce mais pro time que torceu

Ela já não gosta de vestidos
Ela já não limpa os ouvidos
Não espera mais por um príncipe que nunca nasceu

Ai, ai, Verônica
Só encontrou alegria
Quando deixou de fazer
As coisas que sempre fazia

Ela não depila mais as pernas
Nem almeja mais a vida eterna
E agora cospe no prato que comeu

Esqueceu qual era sua causa
E só come sorvete em cauda
Coloriu todos os livros que leu

Ela já não sente mais saudade
Largou a sua velha faculdade
E queimou todos os diplomas que a vida lhe deu

Sua cor favorita era rosa
Mas agora muda a cada lua nova
E o amor tem um sabor de hortelã

Ai, ai, Verônica
Só encontrou alegria
Quando deixou de fazer
As coisas que sempre fazia

Parou de pensar sobre si mesma
Esqueceu até de sua magreza
E deixou a cara do jeito que acordou pela manhã

Trocou o celular por um carteiro
Perdeu o interesse pelo alheio
E a coisa mais bonita que disse foi “Bom Dia”

Tirou o carro da garagem
Mas preferiu fazer com as próprias pernas
Um caminho por um mapa que ela mesma desenhou




quinta-feira, 8 de março de 2018

História que não vivi: SEMANA DE LUTAS DAS MULHERES = RECITAL PIMENTA PINK



É a valsa do pai que teimava em ver a filha enquanto criança
e da filha que teimava em se apaixonar...


HISTÓRIA QUE NÃO VIVI
(c. a. albani da silva, o inventor do vento)

Ainda ontem eu brincava
de bonecas e inventava castelos no ar
Há pouco tempo o meu príncipe encantado não passava de um desenho animado
Agora cresce em meu peito uma vontade doida de amar
E já não sei se a sufoco ou simplesmente deixo arrebentar

Ainda esses dias em meu colo a afastava de toda a maldade
Contemplo agora o meu rosto sem rugas só nas velhas fotografias
Trago no peito um desejo imenso de que ela não mudasse
E desafio os magos e sábios em busca de uma pausa
no tempo

Não me pergunte das coisas que fiz na minha juventude
É diferente, os tempos são outros, há perigo, e está tudo mais fácil
E sendo homem a rua é que foi minha escola
Estou confuso! Já chega de tanta conversa! Preciso calar

Mas veja, pai, não estou lhe enganando nem saindo da linha!
Dias difíceis são ainda piores quando se está sozinha
O que sinto por ele não me impede de ainda lhe respeitar
E desafio os magos e sábios em busca de uma cura pro amor!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Recital Pimenta Cor-de-Rosa



O recital Pimenta Cor-de-Rosa apresenta algumas das personagens femininas que compõem o livro “Contos Pra Cantar do Inventor do Vento”.

No dia de Lutas Delas (08/03), destacamos as seguintes moças em 08 canções:

1) VERÔNICA: O quixotismo de se chutar o balde e virar a mesa da cultura machista que perdura pelas eras e lugares;


2) LUGAR DE MULHER ONDE É? Um encontro histórico entre uma camponesa analfabeta do século XVII e uma menininha de 09 anos que lhe apresenta a modernidade no ano de 2013;


3) É DE MARIA QUE FALO É PRA MARIA O MEU CANTO: A maternidade é coisa sagrada, e exclusiva a apenas metade da humanidade. No Brasil, muitos somos filhos de Maria, eu inclusive. Em 05 minutos, a história da minha Mamica: da colônia para um Vale industrial. Para sempre filho de Maria!


4) ADAGA DE PRATA: As mitológicas do machismo x feminismo;


5) ENTRE O GOLPE E A REVOLUÇÃO: Uma foto que virou música. Tirada por uma estudante em meio à crise política brasileira de 2016? Pode ser!


6) SIDNEA MAGOA: Vi Sidnea dançando lambada numa esquina de Porto Alegre. E ela me contou que não anda nada satisfeita com as coisas do espírito e da política no Brasil;


7) HISTÓRIA QUE NÃO VIVI: Uma valsinha esquisita em plena festa de 15 anos. Entre a dança e a contradança, pai e filha dialogam sobre o despertar da sexualidade.


8) A DANÇARINA JÉSSICA: Jéssica ia aos bailes de 1979 no seu vestido calexico até a Mãe Lua lhe chamar para a noite (ou seria um mágico de rua?) e ela virar a melhor meretriz de todas.


*Arte por Jhonatan Souza


sexta-feira, 27 de maio de 2016

VERÔNICA


Henri Matisse, A dança, 1909


A história de Verônica, letra e música de C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento: moça quixotesca que chutou o balde e virou a mesa da cultura machista em que foi criada!

Ao vivo na Ocupação da Escola Padre Nunes, Gravataí/RS, Maio de 2016.
Versão FolkPunkSertaneja!

Vamos sempre Cavalgando o Vento!
Vuuuuuush!
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VERÔNICA
Ela já não pensa em marido
Ela já deixou o seu partido
E agora já não segue nenhum deus

Ela largou o clube feminino
Ela chamou o patrão de cretino
Já não torce mais pro time que torceu

Ela já não gosta de vestidos
Ela já não limpa os ouvidos
Não espera mais por um príncipe que nunca nasceu

Ai, ai, Verônica
Só encontrou alegria
Quando deixou de fazer
As coisas que sempre fazia

Ela não depila mais as pernas
Nem almeja mais a vida eterna
E agora cospe no prato que comeu

Esqueceu qual era sua causa
E só come sorvete em cauda
Coloriu todos os livros que leu

Ela já não sente mais saudade
Largou a sua velha faculdade
E queimou todos os diplomas que a vida lhe deu

Sua cor favorita era rosa
Mas agora muda a cada lua nova
E o amor tem um sabor de hortelã

Ai, ai, Verônica
Só encontrou alegria
Quando deixou de fazer
As coisas que sempre fazia

Parou de pensar sobre si mesma
Esqueceu até de sua magreza
E deixou a cara do jeito que acordou pela manhã

Trocou o celular por um carteiro
Perdeu o interesse pelo alheio
E a coisa mais bonita que disse foi “Bom Dia”

Tirou o carro da garagem
Mas preferiu fazer com as próprias pernas
Um caminho por um mapa que ela mesma desenhou

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sarau CoV "Pimenta Cor de Rosa: Mulheres no Tempo" (Playlist)

Hilda Dallas, Poster, 1909


Playlist no SoundCloud pra cantar com o CoV sobre as mulheres no tempo: lutas políticas, paixões, feminilidade, o machismo, a maternidade, sagrado feminino de todo dia em muitas eras que o dia passa devagarzinho e as eras muito rápidas.

Adaga de Prata (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Composição de 2013, também registrada ao vivo no programa Estação Cultura da TVE (abril de 2014). Inspirada em muitas mitologias e na simbólica figura da moça que decide morrer virgem por enxergar só maldade nos homens.

Diga Cá (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Baião que está na quinta faixa do CD do CoV (finalizado em 2013). A pergunta é para as mulheres (lavadeiras, faxineiras, estudantes, jornalistas, jogadoras) sobre o que faz a diferença no Brasil do século XXI?

História que não vivi (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Escrita para o curta metragem estudantil homônimo, em 2013, esta balada traz um intenso diálogo entre um papai que vê a filha ainda bonequinha e a filha adolescente que sente na carne e no coração o despertar da sexualidade.

Colar (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Nesta canção, a sombra de uma rapariga em flor deflagra versos líricos para uma beleza brejeira barroca que virou canção e depois livro. Terceira faixa do CD do CoV (2013).

A Guria da Livraria (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Falando em livros, só deixem em paz a guria da livrariaaaaaaa!

Verônica (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): A Verônica que chutou o balde, virou a mesa, deixou de fazer as coisas que sempre fazia. Reforço do Mick Oliveira nos teclados em mais um capítulo dos Concertos do Vento para Piano & Voz.

Mulheres de Atenas (Chico Buarque & Augusto Boal): O machismo de Atenas perdura da Antiguidade até ontem. E nos vocais de apoio uma Amazona: Aline Albani. Gravação no Acústico Maresia, Navegantes de 2014, Praia de Baunilha.

Capitu (Luiz Tatit): A mais famosa e enigmática personagem da literatura brasileira: Capitolina Rodrigues apareceu no livro “Dom Casmurro” (1899) de Machado de Assis e ninguém mais se esqueceu dela. Nem mesmo na era da internet.

Acorda, Maria Bonita (Antonio dos Santos, o cangaceiro Volta Seca): Nas sociedades pré-industriais o papel econômico da mulher era indissociável do papel do homem: a casa, a prole, o campo eram uma unidade e o machismo era diferente dos dias posteriores à Revolução Industrial onde a mulher foi sendo inferiorizada por seu trabalho doméstico ser pouco, ou nada, remunerado.

 A Deusa dos Orixás (Clara Nunes desde um ponto de terreira): Triângulos amorosos de verdade possuem a fórmula 2v + 1d = 2 x 0: dois varões mais uma dama = um casal feliz vezes um solitário chupando dedo na falta de coisa melhor, como manga, por exemplo. Isso acontece seja com gente ou orixá: Ogum x Xangô + Yansã.

É de Maria que falo é pra Maria que canto (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Em cinco minutos a história da vida da mulher mais importante da vida do Inventor do Vento: a Mamica! É pra ela que canto! Vuuuuuuuush!

 Show das Poderosas (Anitta numa versão 1001 noites árabes com Vento): Sherazade pode ter sido a primeira poderosa da História. Ao menos é personagem duradoura, de um jeito ou de outro, até os dias que seguem e quase ninguém sabe onde irão dar.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sarau "Pimenta Cor de Rosa" (final)

Johannes Vermeer, A leiteira, c. 1658


Nosso sarau sobre as mulheres no tempo chega ao seu bloco derradeiro de canções com:
     1)     Capitu (de Luiz Tatit, SP): Pra cantar a mais famosa personagem da literatura brasileira, a “morena dos olhos de ressaca”, Maria Capitolina Santiago, a Capitu, do livro “Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis (1839-1908);


     2)     Verônica (do C. A. Albani da Silva, este Inventor de Ventos): Pra cantar a história da incrível virada de mesa da desconhecida Verônica, na versão para piano e voz do Vento, claro, com a participação do Mick Oliveira arrepiando nos teclados;


     3)     Show das Poderosas (de Larissa Machado ou Anitta): Pra cantar a ousadia de muitas moças pós-modernas numa versão 1001 noites árabes com Vento!!!