sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Canção “Amarelo & Azul” no Dia Mundial dos Gatos

Gato amarelo de primavera (Miona)


Do capítulo XIV do livro "Contos Pra Cantar do Inventor do Vento" esta canção que fiz, em 2015, pros felinos e seu olhar do mundo: hábeis bagunçadores de casa, distantes em seus telhados lunares, miando sem sombra de positivismos ou ordens & pogréissos!

Letra, música, voz e violão azul: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento

Arte por Jujuba Negreiros.

AMARELO & AZUL

(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

As cores da pátria
A selva de pedra
Nos campos de trigo
Banho de Sol nas pirâmides do Egito

A cortina de casa
Almofadas no sofá da sala
No apartamento inteiro
Cães ferozes que uivam
e se fazem ouvir
(Amarelo & Azul)

Amarelo & Azul
Diante dos olhos do gato
Vendo a caça distante
Inimigo dos ratos
Ronronantes carícias
de afagos azuis
Amarelo & Azul

A preguiça sem pressa
O telhado de fugas
O peixinho no aquário
A Mãe Lua de noite
lá no alto

A cauda balança, de cá pra lá
Garras que arranham a cama
O salto da cama pro colo
No colo se enrola e sonha, ah!
(Amarelo & Azul)

Amarelo & Azul
Diante dos olhos do gato
Vendo a caça distante
Inimigo dos ratos
Ronronantes carícias
de afagos azuis
Amarelo & Azul



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Na praia não tem só peixe

Praia das Cabras, entre Cidreira e Tramandaí/RS

     Todo mundo sabe que o litoral Norte do RS tem mar chocolatão e gelado, muitas algas, vento Nordestão, roseta nos pés.

Mas nem todo mundo sabe que ali moram, veraneiam, descansam ou visitam nossas praias a marmota tuco-tuco, a lagartixa das dunas, a mãe-d´água (nós é que incomodamos elas nos dias de água “bonita” e quente, quando elas vêm pra beirinha e ficamos nos esbarrando nelas e ainda por cima praguejando), o golfinho pintado, o pinguim-de-magalhães, o lobo-marinho e a baleia franca, entre tantos outros seres fantásticos.

Na imensa planície costeira do RS, entre dunas e restingas, lagoas, ventos e pequenas cidades de pescadores, crianças e aposentados, rola o encontro das correntes marinhas do Brasil e das Malvinas: água + calor x frio criando um corredor de vida e diversidade no Atlântico.

Fiz esta letrinha no verão de 2016. Foi parar no capítulo XX do livro "Contos Pra Cantar". Gravei no verão de 2017, ao vivo dentro do mar de Cidrilha, a Praia de Baunilha que é ao sul de Moçambique.

Oh yeaaaaah com sal e areia!

NA PRAIA NÃO TEM SÓ PEIXE
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

A marmota mora logo ali
(naquela praia):
E a marmota tem a cor da areia
A marmota cava túneis na areia
A marmota toca tuco-tuco toca
Pra marmota sereia

A lagartixa mora logo ali
(naquela praia):
A lagartixa sobe e desce a duna
A lagartixa é uma lagartixa das dunas
A lagartixa é verde feito o pasto
A lagartixa procura o rabo no biquíni da esposa do sapo

É que na praia não tem só peixe
Procure que vais ver
Ou pergunte pro repuxo,
vento Norte, corrente Sul
Que na praia não tem só peixe
O que irão te dizer?
Lá na Praia de Baunilha que fica logo ali

A mãe d´água veraneia logo ali (naquela praia):
A mãe d´água não gosta de água quente
A mãe d´água quando braba queima a bunda da gente
A mãe d´água é mãe de muitos filhos
A mãe d´água não precisa de um pai d´água pra botar sua vida nos trilhos

O golfinho pintado veraneia logo ali (naquela praia):
O golfinho ajuda com sua calda o salva-vidas
O golfinho vence o surfista nas corridas
O golfinho pesca puxa puxa a pesca quando a maré é cheia

É que na praia não tem só peixe
Procure que vais ver...

O pinguim descansa logo ali
(naquela praia):
O pinguim já desceu da geladeira
O pinguim ri do marisco e suas besteiras
O pinguim sempre toma um picolé
O pinguim vem lá das Malvinas só pra pegar jacaré

A baleia franca passeia logo ali (naquela praia):
A baleia franca sempre diz a verdade
A baleia franca não tolera maldades
A baleia franca fica faceira fica feliz
E expele água salgada, gelada, molhada feito um chafariz

O lobo marinho não vive sozinho
Uiva pras estrelas com o seu sobrinho
O lobo marinho conversa com os marinheiros
O lobo marinho não precisa de dinheiro
Pra viver faceiro
Não precisa de dinheiro
Pra viver faceiro

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Lucy não se esqueça de mim (agora no YouTube e em livro)

William Bouguereau, O nascimento de Vênus, 1879


Do Baú de Sons da banda Madame Satã (2004) para o capítulo XXIV do livro "Contos Pra Cantar do Inventor do Vento" (2016).


Lucy não se esqueça de mim
(Letra e música de C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Lucy, pare de tomar LSD
Lucy, o vizinho da esquina quer comer você
Lucy, pare de ler Edgar Allan Poe
Lucy, nunca deixe de escutar o bom e velho roque enrow

Ah! Lucy, não te esqueças de mim
Ah! Lucy, nosso amor chegou ao fim

Lucy, pare de pensar no amor e na fé
Lucy, Jesus Cristo pega ônibus e anda a pé
Lucy, por favor, pare de sorrir
Lucy, teu olhar é tão doce e eu não consigo dormir

Ah! Lucy, por favor, não se vá
Ah! Lucy, o teu nome é amar

Lucy, por favor, me desperte antes das seis
Lucy, o sonho acabou outra vez
Lucy, não estou atrasado, mas preciso ir
Sinto o coração quebrado, mas eu vou partir

Ah! Lucy, por favor, não se vá
Ah! Lucy, o teu nome é me amar
Ah! Lucy, não te esqueças de mim
Ah! Lucy, nosso amor chegou ao fim


Voz e violão: Albani

Viola caipira e vocal de apoio: Mick Oliveira


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Antes da Aurora ou Até os Dragões Acordarem

Jeong Seon, 1676 a 1759, cordilheiras coreanas

Canção que integra o livro "Contos Pra Cantar do Inventor do Vento".

Gravada no Laboratório de Sons do Vento, primeiros dias de 2017.
Voz, violão e harmônica: Albani.

ANTES DA AURORA ou ATÉ OS DRAGÕES ACORDAREM
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Prenda,
tira tua roupa cara
e venha pra mim
O dinheiro não é tudo que existe, esqueça
Vamos sair por aí
e ver o Sol nascer
Pois nesse mundo a gente nunca sabe até quando ele vai se erguer

Menina,
largue suas joias
e venha pra mim
Eu não tenho muita coisa, mas eu tenho algo, sim
Eu tenho essa gaitinha e tenho um velho violão
Suficientes para
escrever uma nova canção
(Tipo assim):

Guria, 
eu acredito que os dragões podem mesmo voar
E, Cigana, é só uma questão de entender o Ar
Então suba na asa deles, vamos dar uma espiada
no Céu
Pois nas alturas a mais grande cidade vira mera maquete de papel

Iaiá, 
os dragões não querem mudar o mundo
E nem querem
parecer profundos
Só querem ver, transver, aquentar com seu
bafo de fogo
Nesse mergulho doido
os caçadores, certo, nada entenderão do jogo

(O sol também se levanta
Pra fazer a aurora
Ou até os dragões
se acordarem
Do seu sono no alto
da Cordilheira)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Vidente Xalalá passa um pente fino em 2016


Vidente Xalalá, Deu Tilt na Bola de Cristal, 1867


Disse um abilolado Vidente Xalalá em seu programa na TV pública, pouco antes de tirarem a TV pública do ar: “Deu pau na minha bola de cristal! Não vou poder adivinhar bosta nenhuma do ano que virá! Mas se vocês agarrarem 2016 do avesso e apertarem espremerem os contracantos do tempo, afagando a memória, vão ver que não teve só retrocesso político, desgraceira e polêmica neste ano, teve mais coisa”:

JANEIRO
No Dia Primeiro, o Malandro Urubu dormiu em PAZ, depois de tomar o maior fogo das suas penas. O que demostra, acertadamente, que apesar de uma ou duas exceções, que só comprovam a regra, pacifismo é coisa de bêbado.

FEVEREIRO
Iemanjá deu de braços com Poseidon e foram pular Carnaval na Praia do Pinhal. Embora a rainha das águas não seja a senhora do destino (destino é coisa de Mãe Nana) ela sabia que o pior estava por vir, então aproveitou pra extravasar antes. No mesmo dia, o Picolezeiro da Praia de Baunilha vendeu seu picolé nº 100.001. De brinde ele ofereceu à menina que comprou o geladinho um mergulho gratuito no mar. Como ela já tinha mergulhado naquele dia, contentou-se em chupar o picolé. O Picolezeiro pegou jacaré sozinhamente.

MARÇO
Em Congresso Feminista no Uruguay que se estendeu por quase três semanas, Lolita Leine defendeu a tese e convenceu as congressistas de que Anitta assim como Joana D´Arc não chega à altura da bailarina Mata Hari nem da passionária espanhola Dolores Ibárruri, mesmo com outra guerra mundial isso nunca acontecerá. Disfarçado de mulher com batom e tudo o Paulo Coelho gostou da ideia e saiu a bolar o seu novo livro sobre a espiã holandesa; sobre a comunista de Espanha, enquanto, nada. Lolita Leine iria defender também a força punk da roqueira Patti Smith, mas ninguém ainda sabia que ela representaria o Bob Dylan no Nobel nos fins de ano (como de costume, minha bola de cristal estava com tilt em dezembro de 2015...), daí que a Lolita quietou-se e deixou o Congresso finalmente acabar, já que se alongava demais aquela pensativa reunião e muita menina inteligente precisava partir resolver outros problemas não menos complicados do que o machismo.

ABRIL
Foi visto o fantasma de Tiradentes sobre as ruínas de Mariana/MG. Um executivo da Cia Vale do Rio Doce ficou branco que nem uma vela, acusou a assombração. Outro endoidou e começou a rolar na lama pensando ser o barro mais limpo que sua maldita consciência suja de capitalista sujo (não há limpos, já antecipo). Um caboclo que perdeu tudo, pois até o rio em que pescava sumiu, disse que após o estouro da barragem é que o Tiradentes perdeu a cabeça e passou a assombrar os executivos crédulos (existem alguns!) da mineração multinacional.

MAIO
Em maio, o Moleque do Espaço comemorou 30 anos de vida. Geminiano encardido, bateu uma dúvida se festejava de noite, que era mais fresquinho, ou de dia, que os parentes mais velhos acreditavam ser mais seguro. Incapaz de superar as inseguranças voou pro céu sideral ter com Cástor & Pólux, as estrelas gêmeas. A confusão só se fez triplicar. Estão até agora debatendo. Em tempo decidem algo pra festa de 31 anos.

JUNHO
Houve uma greve de gnomos de Natal no quintal de roseiras do seu Valdemar. O Papai Noel acusou Jesus de Nazaré, que teria cooptado a gnomada para trabalharem por seus evangelhos e mandarem longe o paganismo consumista do velho Noel entregador de presentes. Jesus negou até a última. Chamava os gnomos de diabretes: estando impedido pelo Pai de fazer aliança com esse tipo de gente.

JULHO
Afonsinho dono da banca de frutas na COHAB colocou o novo preço inflacionado da maçã miúda, pera pau, mamão papaya, laranja suco, milho que não é fruta. Do lado das frutas pôs uma placa onde se lia “o amor é de grátis”.

AGOSTO
O Cachorro Louco foi à tumba do Júpiter Maçã. Latiu 3x a prece mais importante de todo o mundo, o Pai Nosso. Adispois arriscou latir “Beatle George”. O coveiro chorou e os dois saíram juntos coçar as pulgas.

SETEMBRO
Um anjo caiu na cabeça da Presidenta Dilma. E disse que lá no céu também ocorrem golpes de Estado e puxam-se os tapetes celestes, manifestações de uma mesma luta de classes.

OUTUBRO
Mês dos paranormais se encontrarem em Praia de Baunilha e entortarem garfos. A Menina do Colar achou curioso quando a Girafa Elétrica lhe contou do encontro de gordos que rolava ao lado: pauta deles: como podem entortar garfos com tanta comida por aí?

NOVEMBRO
Escarafunchando há 80 anos nas “Raízes do Brasil” o mais famoso livro do historiador Sérgio Buarque abriu-se na página 214 e leu-se “Uma superação da doutrina democrática só será efetivamente possível, entre nós, quando tenha sido vencida a antítese liberalismo-caudilhismo”. E fechou-se. E quem comentou foi o taxista Sérgio que simplesmente falou “Bonito! Mas prefiro poesia”.

DEZEMBRO
Do canto do olho esquerdo e acima do bigode direito o Cigano reparou nas formigas andando em fila indiana e se perguntou se elas iriam pra Índia como um dia ele viera da Romênia. Toda andança de ida ou de volta, organizada ou bagunçada, começa antes do primeiro passo. O servo de há 40 anos no mesmo feudo em Goiás disse ao Cigano que a pior condenação é seguir e nunca poder ficar.


Trilha sonora pra 2017: EDVALDO SANTANA

EDVALDO SANTANA - CONSULTA (1993):

EDVALDO SANTANA - Choro de Outono (2004):


EDVALDO SANTANA - Quem é que não quer ser feliz? (2006):

EDVALDO SANTANA - Jataí (2011):


Edvaldo Santana - Dor Elegante (2000):


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Contos Pra Cantar do Inventor do Vento


Direto das NUVENS:
Nasceu o primeiro livro de histórias
do Inventor do Vento - CONTOS pra CANTAR!
São mais de 70 letras de músicas, causos modernistas, poemas ventosos!
Encomende o seu (Pelo Feicebuquis, Uats ou Email)!
Produção totalmente independente!
Cópias limitadas!
E vamos sempre Cavalgando o Vento!
Vuuuuuuush!






80 anos escavoucando as Raízes do Brasil


     Clássico de nascência, o livro “Raízes do Brasil” de 1936, escrito pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, futricou lá no fundo da matéria d´alma brazuca. Entre outras coisas achou uma certa cordialidade da nossa gente que não tem a ver com sermos gentis e alegres o tempo inteiro, mas sim passionais e emotivos em se tratando da vida diária.
     Um desses livros maravilhosos a fazer a cabeça dos brasileiros dispostos a superar a casa-grande e finalmente, quem sabe, um dia, abolir todas as escravidões. Segue a última página da obra:
     “Se no terreno político e social os princípios do liberalismo têm sido uma inútil e onerosa superfetação, não será pela experiência de outras elaborações engenhosas que nos encontraremos um dia com a nossa realidade. Poderemos ensaiar a organização de nossa desordem segundo esquemas sábios e de virtude provada, mas há de restar um mundo de essências mais íntimas que, esse, permanecerá sempre inato, irredutível e desdenhoso das invenções humanas. Querer ignorar esse mundo será renunciar ao nosso próprio ritmo espontâneo, à lei do fluxo e do refluxo, por um compasso mecânico e uma harmonia falsa. Já temos visto que o Estado, criatura espiritual, opõe-se à ordem natural e a transcende. Mas também é verdade que essa oposição deve resolver-se em um contraponto para que o quadro social seja coerente consigo. Há uma única economia possível e superior aos nossos cálculos para compor um todo perfeito de partes tão antagônicas. O espírito não é força normativa, salvo onde pode servir à vida social e onde lhe corresponde. As formas superiores da sociedade devem ser como um contorno congênito a ela e dela inseparável: emergem continuamente das suas necessidades específicas e jamais das escolhas caprichosas. Há, porém, um demônio pérfido e pretensioso, que se ocupa em obscurecer aos nossos olhos estas verdades singelas. Inspirados por ele, os homens se veem diversos do que são e criam novas preferências e repugnâncias. É raro que sejam das boas”.
(Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda, 27ª edição, editora Cia das Letras, 2014)

80x Tom Zé & Rolando Boldrin

 
     Em 2016, dois cantadores do Brasil profundo completaram 80 anos de vida: Tom Zé, o tropicalista baiano que nos ensina a fugir do óbvio na música; Rolando Boldrin, o cantador e contador de causo, autêntico Sr. Brasil!

Nesta canção do álbum “Estudando o Samba” (1976) Tom Zé explica a clareza da sua confusão:

TÔ
    Tô bem de baixo pra poder subir
    Tô bem de cima pra poder cair
    Tô dividindo pra poder sobrar
    Desperdiçando pra poder faltar
    Devagarinho pra poder caber
    Bem de leve pra não perdoar
    Tô estudando pra saber ignorar
    Eu tô aqui comendo para vomitar

    Eu tô te explicando
    Pra te confundir
    Eu tô te confundindo
    Pra te esclarecer
    Tô iluminado
    Prá poder cegar
    Tô ficando cego
    Pra poder guiar

    Suavemente pra poder rasgar
    Olho fechado pra te ver melhor
    Com alegria pra poder chorar
    Desesperado pra ter paciência
    Carinhoso pra poder ferir
    Lentamente pra não atrasar
    Atrás da vida pra poder morrer
    Eu tô me despedindo pra poder voltar

   

     Já nesta canção de 1981, Rolando Boldrin sugere meios de resistir à Gotham City Tropical, quando ela, vira & mexe, teima em se tornar a capital do Brasil. Segue a versão original e uma releitura do Inventor do Vento.


VIDE VIDA MARVADA
Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoa que eu choro são mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi 
A baba sempre foi santa e purificada
Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho a ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desenganos
É que a viola fala alto no meu peito, mano
E toda mágoa é um mistério fora desse plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pruma visitinha
Que no verso e no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me no cateretê

Tem um ditado dito como certo
Que o cavalo esperto não espanta a boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando essa vida marvada
Cumpadi meu que inveieceu cantando
Diz que ruminando dá pra ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando
E assim procurando minha flor-de-liz



     Por fim, parceria de Tom e Rolando pra cantar o apocalipse na “Moda do Fim do Mundo” (c. de 1985):

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Os BLUES do Inventor do Vento

Georg Eisler, Jazz in Montana, 1994

            
            Mãe Nana falou: “Num é assim um Rolling Stone, mai mininu, tu já inventô bocadinhu de blues desde piá. E bem que ocê pudia bolá uma pleilista ae no youtúbio pra módi nóis se adiverti um poko nesses dia tão infame que ocorre”.
            Sempre obedecendo aos caprichos de Mãe Nana, escolhi 07 blues numa retrospectiva artesanal, que começa lá na banda Madame Satã, quando este cantador nem sabia aparar os bigodes, vai até a dupla lunática Barata Atômica & Formiga Nuclear, chegando aos atualmentes do Cavalgando o Vento (CoV).

                                                                                      *(Notas por Prof. Linduarte Cantor)

Sukie Jones: O adolescente deve de ser um primitivo, expressionando-se, por vezes, no gritedo das suas músicas. Foi assim com a ópera-rock “Pornô Cor de Rosa”, da banda Madame Satã, em 2002.


Pelos cinco mil alto-falantes: Garota, rua, uísque e violão: os segredos de um bom blues, existencialista. 2004.

O blues do cachorro magro: O anarquismo é a última salva-guarda da utopia. 2004.


Só quem me ama é a minha mãe: Uma homenagem da banda Madame Satã, Gravataí/RS, em 2004, a uma das mães do blues: Alberta Hunter (1895 a 1984).


Vocês vão ter que me aturar: Existem por aí muitos tricksters: Hermes no lombo do vento grego; Exu Legba mamando nas tetas da Mãe África; a Lebre e a aranha Anansi na savana dos leões depois que passa o Saara; o Rei Macaco voador de nuvens nas montanhas da China antiga; Tanuki, o guaxinim por dentro da túnica das gueixas japonesas; o Corvo, o Coiote procurados sem recompensa no velho Oeste pelo gaudério Pedro Malasartes. 2004.


Nana (Blues): Mãe Nana é a que teve 140 filhos e determinou o destino de cada um deles quando que os ia parindo ao som do blues do samba e do brega, suas paixões de toda uma vida, bem comprida, aliás. 2011.


História do Bugio na Selva de Pedra: Registro ao vivo em festival de cantadores que caminham sobre as águas e rolam no lodo dos rios Mississipi, Gravatahy e Guayba: Canções que nascem do barro. 2016.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nana SAMBA TORTO nos 100 anos do baticum

Cena do filme Häxan, 1922 de Benjamin Christensen


            Mãe Nana é a que teve 140 filhos e determinou o destino de cada um deles quando que os ia parindo ao som do blues do samba e do brega, suas paixões de toda uma vida, bem comprida, aliás.
          Quando Mãe Nana samba, seja em Angola, na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo ou Porto Alegre, seu samba é TORTO. 
           E que ninguém o "endireite" a bibliadas, verdeamareladas, patadas, privadas (iniciativas)!
        Em Cuba, cantando para o Camarada Fidel, seu samba foi guajira para os novos tempos.
       Voltou a entortar quando olhou as "Nuvens do Céu" na Praia de Baunilha, ao sul de Moçambique, e entendeu que as nuvens não têm forma definida, só dependendo do olho do olhador: elas têm todas as formas da imaginação.