A playlist Cavalgando o Vento BRS 7:20 traz o país e o RS na poesia do Inventor do Vento. Em 07 de Setembro de 1822 o Brasil conquistou sua Independência de Portugal. Em 20 de Setembro de 1835 caudilhos gaúchos com ideias esfarrapadas se rebelaram contra os reis brasileiros. De lá pra cá, as crenças, as lutas de classes e a arte vêm tentando criar um país chamado Brasil e um Estado chamado Rio Grande do Sul. Ouça aqui algumas canções de Carlos Albani, o Inventor do Vento, sobre essa viagem simbólica feita de história concreta e sonhos poéticos. Vuuuush
Em 2005, Charles Adrián-Rojo esteve em Paris e se meteu num triângulo amoroso com os poetas PIERRE LOUYS e BILITIS. Desta trinca saiu este som:
SOMBRA DO BOSQUE
Sombra do bosque / Onde ela devia vir / Diga-me / Onde está minha amada? / Ela desceu até a planície / Planície, onde está minha amada? / Ela seguiu pela beira do rio / Belo rio que a viu passar / Diga-me / Ela está por aí? / Ela me deixou pelo caminho / Caminho, tu a vê ainda? / Ela me deixou pela estrada / Oh estrada branca, estrada da cidade / Diga-me / Pra onde tu a conduziu? / Até a rua dourada que entra em Sardes / Oh rua de luz, tocas-tu seus pés descalços? / Ela entrou no palácio do rei / Oh palácio, maravilha da terra / Devolva-me! / Olha, ela tem colares sobre os seios / E franja no cabelo / Cem pérolas pelas pernas / Dois braços cingem sua cintura.
Vuuuush
Gravada no Laboratório de Sons do Vento, Agosto de 2020
Filmografia por Jujuba Negreiros
cavalgandoovento.blogspot.com.br
A coisa tá feia, meus amigos / Pandemia cada vez pior / Governo de merda / Desemprego solto! / Por isso
CHARLES ADRIÁN-ROJO & CoV / Te convidam / Pra cantar e dançar / Males espantar / Com um poema de
JUAN RAMÓN JIMÉNEZ
(1881-1958) / Prêmio Nobel de 1956 / Porque grande mesmo / São as coisas breves e pequenas. / Vuuush / cavalgandoovento.blogspot.com.br / @cavalgando_o_vento
Com vontade de conhecer o Uruguay ou de matar a saudade, mas não dá pra viajar com essa pandemia tinhosa? É pra isso que CHARLES ADRIÁN-ROJO e o Cavalgando o Vento trazem pra ti a sua terceira parceria: LOS URUGUAYOS, escrita em Montevidéu, em 2017, e falando dos caracóis, artistas e gentes do grande-pequeno país vizinho. É o poder do canto, da música e da poesia: viajar sem sair do lugar com o passaporte da imaginação. Vuuush
Pra
vocês, a tradução da entrevista exclusiva com CHARLES ADRIÁN-ROJO,
a maior voz da música em castelhano no século XXI, feita pelo
jornal uruguayo DULCE DE LECHE NEWS – Solo la buena noticia.
DULCE
DE LECHE NEWS – Olá, Charles, é um prazer tê-lo conosco nesta
semana que você, em conjunto com o projeto Cavalgando o Vento, lança
o single LOS URUGUAYOS, uma canção e clipe em homenagem a vários
artistas e personagens históricos do Uruguay. Como foi essa parceria
internacional?
CHARLES
ADRIÁN-ROJO: Como diz meu irmão brasiliano Carlos Albani: Vuuush
(risos)! Então, tudo começou lá em setembro de 2017, quando me
encontrei soprando os ares com o doido do Albani, primeiro em
Montevidéu, onde dançamos um tango, depois em Colônia do
Sacramento e Punta del Este, onde batucamos o candombe, depois
galopamos caracóis. O Albani queria mergulhar na poesia do Rio da
Prata e eu queria aprender mais sobre a Independência do Brasil, era
Sete de Setembro, mas acabamos fazendo outras coisas, como ir a um
cassino oferecer esmolas aos apostadores (risos de novo). Por fim,
concluímos que os artistas uruguayos são realmente brilhantes, mas
a independência nacional não vale a independência da vida sem
pátria, nem fronteiras, nem barreiras linguísticas, da imaginação
humana.
DDLN
– Por que os olhos não mentem?
CAR
– Porque quando eu era muito pequeno, ainda uma mera partícula
atômica dividida entre os germes de mamãe e papai, eu ouvi o Carlos
Albani cantando, muito mal por sinal, aos gritos e aos berros, “Os
Olhos Não Mentem”, com a banda Madame Satã, num carro de som em
Gravataó, logo após terem sido roubados todos os instrumentos dos
garotos da banda. Eu pirei! Na minha opinião, ouvia ali a mais
marcante composição sobre estar sozinho no mundo e não trocar a
sua alma por meras fumaças que outros fazem e chamamos paixão. Foi
a primeira música que pensei em gravar nessa parceria com o
Cavalgando o Vento, sem sombra nem eco de dúvidas.
DDLN
– “Assombro” é uma canção que pensa em um mundo pós-pandemia
onde o grande espanto será ler um livro, brindar uma cerveja,
esquecer heróis, guerras e dinheiro. Você não acha isso muito
romântico?
CAR
– Se você entende romântico como o contrário de realismo
(exaltado!), digo que essa letra do Inventor do Vento é que é puro
realismo e que romantismo infantil e barato gugu dadá, tosco mesmo,
é a bolsa de valores, a presidência da república, a gorda conta
nos bancos das igrejas e os vendedores de placebos e da felicidade
motivacional na TV ou na internet.
Dia
02 de Agosto é o lançamento mundial de LOS URUGUAYOS, prepare as
orelhas!
Do alto do Morro Itacolomi, quero dizer, do Macchu Picchu, Charles Adrián-Rojo lança seu segundo single internacional: ASSOMBRO. Um singelo poema do Inventor do Vento sobre como o mundo poderá ser bem melhor após essa amarga pandemia.
ASSOMBRO: 1. Somos todos paganos ese día tán bueno / Ese buen día: assombro / Para leer un libro / Hacer amigos / Soñar contigo brindando una cerveza / Para leer un libro / Hacer amigos / Renunciar algunas certezas / 2. Somos todos paganos ese día tán bueno / Ese buen día: assombro / Muy calmo y lento / Después de la revolución / De la pereza / En ciudades sin el dolor de las armas / Sin barriadas, sin palácio / Nin guardas / Será el fin / De la dictadura del dinero / Sin cinismo del paraíso en el cielo / 3. Somos todos paganos ese día tán bueno / Ese buen día: assombro / Una nueva película / En la vista de toda la gente / Sin la valentia y capa de héroe / Al releer un libro / Reunirse con amigos / Caminando para limpiar la cabeza
É
com grande surpresa e alegria que fiquei sabendo esta semana, em
plena semana do rock, que meu amigo, o cantor castelhano, nascido no
Gravataó/RS, CHARLES ADRIÁN-ROJO, regravou, obviamente, em
espanhol, a composição que fiz em 2001 para a banda Madame Satã
“Os olhos não mentem”. E o mais incrível: a música já é a
mais ouvida na Espanha, com milhares de orelhas conectadas em
Castela, Aragão, Andaluzia e País Basco… Uau! Vuuuush
Me
faltavam dólares, mulheres, drogas e empresários corruptos
Mas
eu tinha 3 amigos mais roqueiros do que eu ao lado
Uma
gaita de boca emprestada do avô deles
Uma
guitarra elétrica sempre meio desafinada
(Que
me foi roubada!)
Uma
mente cheia de bobagens
A
voz pronta para o grito primal da ADOLESCÊNCIA.
Ouça
esta composição que fiz pra banda Madame Satã, gravada do jeito
que deu, ao vivo, em um ensaio de 2001, em Gravataó/RS. No baixo o
Tiagão, na guita o Mick, na batera o Alemão.
OS
OLHOS NÃO MENTEM: Mais um pouco e você se vai / Mais um pouco e nós
iremos / Assim como os anjos do Inferno / Nós estamos envoltos num
mesmo terno / Pois se você é a minha vida / Sem você eu preciso de
uma bebida / Você me deixou numa estação de trem / Só eu e minha
gaita e mais ninguém / Você me trocou por um cara rico e bonito /
Dinheiro, luxúria e algumas joias / Eu fico com meus jeans rasgados
/ E você com seus carros importados / Eu não tenho uma amante na
cama / Mas eu tenho paz de espírito / Você tem todas essas suas
joias / Mas não tem o mesmo brilho no olhar...
Livro marcante. Inspiração para ajudar a nos desarmar de estúpidos preconceitos e ranços com quem expressa o seu amor, sentimento tão universal e necessário, que vem de maneiras diferentes. Vuuush
"Meu primeiro professor de poética aplicada. O cara que levou poesia para o centro da indústria cultural no século XX. De cantor de protesto a roqueiro concretista a cantor de mambembe e vaudeville a profeta gospel a cantor brega a trovador de um blues sujo retrô futurista a teólogo e erudito da Roma antiga a prêmio Nobel de Literatura".
"Uma das leituras mais inspiradoras e vertiginosas que fiz durante os anos de faculdade de História (lá por 2005). Leitura não-obrigatória, barroca, histórica, realista, mágica, lírica, trágica, cômica. Ritmo e fluidez incríveis desde uma alminha que encarna na Bahia tomada por holandeses em 1600 e pico até os anos de chumbo do militarismo brazuka na década de 1970".