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domingo, 9 de dezembro de 2018

#5 NOS CUS DE JUDAS (encontrei anjos & arcanjos)



PLAYLIST DO LIVRO 

CONTOS PRA CANTAR DO INVENTOR DO VENTO
#5 NOS CUS DE JUDAS (encontrei anjos & arcanjos)

Era só uma balada tosca
Ou punk, como queiram
Dos tempos de piá
Por volta de 2002...
Até que meu amigo imaginário
O PÉGASO de PAU
Me veio
Naquelas horas profundamente meditativas:
Leitura & Solidão!
Nas férias de janeiro ou fevereiro
Em madrugadas de terça pra quarta
Quando não se tem que lecionar
Sentados no sanitário-vaso onde todos os valentões se apagam
Pois os fortes só gemem e os corajosos se cagam
O PÉGASO de PAU me disse:
“Você sabia, Inventor do Vento, que
“Nasci no município de
“CUS de JUDAS/RS
“No Vale do Rio Gravataí de
“Nossas imaginações mirabolantes
“Um lugar colonizado por seres mitológicos
“Discos voadores, inclusive
“Desde há 30 milhões de luas!
“Lá, nasci
“Numa família de mensageiros e trasportadores alados
“Dos sonhos humanos
“Na periferia do mundo
“Entre favelas e biroscas
“Pelas estradas de chão, com muitas carroças e ônibus lotados
“Onde também pode brotar o amor
“A arte independente
“E a igualdade social”.
Gravada no Laboratório de Sons do Vento
Num domingo logo antes do cachorro-quente, 2018.
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NOS CUS DE JUDAS
(encontrei anjos & arcanjos)
c. a. albani da silva, o inventor do vento

Um disco voador pousou no meu jardim
E me contou histórias de amor sem fim
(Disco voador caiu no jardim
Derramou litros de histórias sem fim)

Um disco voador pousou no teu quintal
E te disse que procurando o bem só encontrou o mal
(Disco voador pousou no quintal
No bem só encontrou o mal)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o diabo perdeu as botas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no nosso coração
Veio das Plêiades, lonjura de constelação
(Disco voador pousou no coração
Bota lonjura de constelação)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o sábio molhou as barbas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no teu negro olhar
Não bastou um só ventilador pro teu calorão resfriar
(Disco voador pousou no negro olhar
Só um ventilador não deu pra resfriar)

Um disco voador na cabeça da Dona Tristeza
Foi quem lhe botou o chip ancestral da sua safadeza
(Disco voador pousou na Dona Tereza
Chip ancestral da safadeza)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá nos Cus de Judas*
Quero te encontrar vestindo cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir
(Capítulo III do livro "Contos Pra Cantar" - Fazer um gol no futebol, pp. 17, 18 e 19)

*Voz e violão: Albani
Baixo: Mick
Bateria: Alemão
Lab de Sons do Vento, 2018.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

#2 DESPETALADA ROSA




Canção que me transbordou
Numa caminhada pela Praia de Baunilha
Em 02/02 de 2011
Dia de Iemanjá dos Navegantes
Caminhava comigo minha Mamica
E tudo começou com a
Rainha da Bateria da Escola de Samba
Que vinha pelo sentido contrário
Cruzou nosso caminho de areia
Conduzida pelo vento Nordeste
Mamica me olhou e pensamos a mesma coisa
Uma Rainha”
As demais cenas foi só abrir os olhos
Se aclarearam facinho com os óculos da poesia.
Alguém me disse que essa música
Parece descrever a praia no Inverno…
Talvez o Inverno esteja em quem ouça ela
Em mim permanece
A saudade duma coisa saudosa
Nunca mais poderei caminhar pela praia
Com minha Mamica
A não ser quando cantar esta canção.
[…]
O arranjo para esta crônica poética
Ficou entre o Barroco e o Oriental
Com destaque para a viola caipira
Tocada por Mick Oliveira como um sitar indiano
E a tampura indiana que
Sampleamos ao fundo
Gravada no Estúdio LACOS
Entre o 2012 e o 2013, em Caxuxa.
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DESPETALADA ROSA
c. a. albani da silva, o inventor do vento

Eu vi a rainha da bateria da escola de samba
E vi o cigano bailando e tocando tambor

Eu vi a criança que fazia castelos na areia
E a alegria estampada no rosto do menino que salvava o seu chinelo do mar

Eu vi um pescador que pescava seus próprios pensamentos
E vi dois amantes idosos lentamente a caminhar

Eu vi o burguês que exibia seus inúteis talentos
E vi o vira-lata sarnento deixando seus rastros na areia

Eu vi a despetalada rosa oferecida à Iemanjá
E vi a garrafa vazia de cerveja jogada na praia
Eu vi conchas brancas que suplicavam teu nome
E vi senhoras discursando sobre homens na mesa do bar

Alcancei acalantos e cigarros ao pobre servo
E vi tristes traves vazias da goleira onde costumávamos brincar
Senti a tua doce presença na brisa que tocou em meus lábios
E me disse que esse mês de janeiro só restava agora em nossos corações
(Do capítulo II – Saudade duma coisa saudosa, pp. 13 e 14)



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

#1 DIA FORA do TEMPO (pra cavalgar o vento)



PLAYLIST DO LIVRO
CONTOS PRA CANTAR DO INVENTOR DO VENTO

#1 DIA FORA do TEMPO (pra cavalgar o vento)

Escrita nos começamentos de 2004
Quando eu estudava radialismo
Estava ainda mergulhado no blues rock
E no roquinho gaúcho
Conheci uma guria astral que
Me falou do calendário maia
Onde havia uma data maluca
Impossível de ser calculada: um dia fora do tempo
Tipo assim
Um dia que não era nem segunda, nem terça
Nem quarta, nem quinta, nem sexta-feira
Não era sábado, muito menos domingo
Tentei captar a leveza desse conceito nessa letra
Difícil imaginar toda a beleza
Dum pensamento assim
Que os índios ancestrais tiveram
Com uma cabeça encafifada com a
Modernidade
O melhor que me saiu foi:
"Segunda sempre é o melhor dia
"Pra se ocupar em vadiar".
Ainda em 2004 fiz uma versão juvenil da canção
Com a dupla Barata Atômica e a Formiga Nuclear
Depois disso ainda aprendi que
Ler as estrelas e anotar calendários
Sobre o sol, a lua, as estações
É uma das formas mais antigas de escrita e leitura
Da humanidade.
P.S.: Esta gravação conta com a bateria do Alemao Cristiano
O resto é por minha conta
No Laboratório de Sons do Vento, 2018.
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DIA FORA DO TEMPO
(pra cavalgar o vento)
c. a. albani da silva, o inventor do vento


Hey, garota, vê se dança o bugio
Hey, garota, eu não sei dançar
Hey, garota, vê se agarra uma nuvem
Para o vento cavalgar


Hey, garota, todos têm os seus pecados
E garota um dia nós vamos pagar
Veja quanta incerteza 
No jeito desse povo olhar


Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Todo mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz

Hey, garota, veja o horizonte
É lá que eu ainda espero chegar
Segunda é sempre o melhor dia
Pra se ocupar em vadiar


Hey, garota, vamos decretar feriado
E deitar na grama pra se amar
Transformo tua beleza em melodia
E você belamente vai gostar


Toque o toque da vida
Ligue o transistor da mente
Eleve o pensamento e seja contente
Todo mundo aqui é feliz
Se cada um cuidar do seu nariz
(Capítulo 1 dos Contos Pra Cantar - Segunda sempre é o melhor dia pra se ocupar em vadiar, p. 09)

segunda-feira, 30 de julho de 2018

CUS de JUDAS (encontrei anjos & arcanjos)













Gravando a canção
Nos CUS de JUDAS
(encontrei anjos & arcanjos)
[p. 17 do livro "Contos Pra Cantar"]
Porque em qualquer lugar
Pode brotar o amor
A arte independente
E a igualdade social!
Vuuuuush!
Aqui o tema num registro voz & violão no Laboratório de Sons do Vento, 2015:
NOS CUS DE JUDAS
(encontrei anjos & arcanjos)
*c. a. albani da silva, o inventor do vento

Um disco voador pousou no meu jardim
E me contou histórias de amor sem fim
(Disco voador caiu no jardim
Derramou litros de histórias sem fim)

Um disco voador pousou no teu quintal
E te disse que procurando o bem só encontrou o mal
(Disco voador pousou no quintal
No bem só encontrou o mal)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o diabo perdeu as botas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no nosso coração
Veio das Plêiades, lonjura de constelação
(Disco voador pousou no coração
Bota lonjura de constelação)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá onde o sábio molhou as barbas
Quero te encontrar vestida em cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

Um disco voador pousou no teu negro olhar
Não bastou um só ventilador pro teu calorão resfriar
(Disco voador pousou no negro olhar
Só um ventilador não deu pra resfriar)

Um disco voador na cabeça da Dona Tristeza
Foi quem lhe botou o chip ancestral da sua safadeza
(Disco voador pousou na Dona Tereza
Chip ancestral da safadeza)

Lá onde o arco-íris é rosa
Lá nos Cus de Judas*
Quero te encontrar vestindo cetim
Entre anjos & arcanjos nesse eterno porvir

* O município de Cus de Judas/RS fica no Vale do Rio Gravataí e foi colonizado por seres mitológicos há 30 milhões de luas. Lá nasceu nosso guia, o Pégaso de Pau, numa família de mensageiros e de transportadores alados de sonhos humanos.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

SETE de NOVEMBRO

63ª Feira do Livro de Porto Alegre/RS


SETE de NOVEMBRO (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento) *Do Capítulo XXVI do livro "Contos Pra Cantar", p. 131. **Mais um registro acústico no Laboratório de Sons do Vento, 2017. Sete de novembro, ela olha a boneca na vitrine da loja Sete de novembro, o verão já vem chegando e ela sente o aroma no ar Sete de novembro, mais um dia na escola para a velha professora Sete de novembro, e o menino mochileiro passa a tarde inteira a viajar Sete de novembro, nada muda para o trabalhador Sete de novembro, o louco segue sua loucura, que até endoidou! E não há quem diga que não há Início sem meio e fim E não há quem diga que não há... Sete de setembro, a banda toca para a marcha militar Sete de novembro, nos olhos dela, a beleza que nem posso explicar Sete de novembro, o catador faz do lixo toda sua riqueza Sete de novembro, a mãe-solteira cria os filhos, Iá-Iá E não há quem não possa sonhar Sonho com início e sem fim E não há quem não possa sonhar...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Do capítulo XIII dos "Contos Pra Cantar": Ramalhete...


Ramalhete de flores de fogo (que a chuva apagou)
C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento

Sempre gostei das mentiras que você dizia pra mim
Sempre assisti aos filmes que você achava ruim
Sempre sonhei com aquele beijo que você não me deu
Sempre rezei pra todos os deuses que você nunca creu

Sempre bebi todas as doses que você rejeitou
Sempre lutei por utopias que você tantas vezes negou
Sempre reli aquele livro que você nunca acabou
Mas ainda assim, sinto falta de ti (4x)

Sempre ri das piadas mais tolas nas horas impróprias
Mas nunca engoli a vergonha de artimanhas inglórias
E nunca esqueci daquilo tudo que outros tantos logo esquecem
Eu nunca pedi nada daquilo que você não pudesse me dar
Vejo a verdade como algo relativo, mas nem tanto assim (2x)

Sempre busquei um samba blues no lugar desse seu pop tão frívolo
Mas nunca evitei saborear desse teu doce veneno no umbigo
Do amargo provei quando colhi a tempestade que outro alguém semeou
Vou lhe entregar um ramalhete de flores de fogo que a chuva apagou
Mas ainda assim, sinto falta de ti (4x)


* Faixa do álbum "Cavalgando o Vento", gravado entre Julho de 2012 e Agosto de 2013, no Estúdio LACOS, em Cachoeirinha/RS, com a produção de Cleiton Amorim e apoio do FUCCA (Fundo da Cultura de Cachoeirinha).

** Do capítulo XIII do livro “Contos Pra Cantar do Inventor do Vento”.

Ficha técnica da canção:
Letra, Música, Voz: C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento
Violões, Guitarras, Vocal de Apoio: Mick Oliveira
Sopros: João Cândido
Baixo, Bateria, Percussão e Teclado: Daniel "San"
Técnico de Áudio: Luan Henrique
Produção: Cleiton Amorim

terça-feira, 18 de julho de 2017

O blues do cachorro magro (Cheirinho do Capítulo XI dos "Contos Pra Cantar")

     O “Blues do Cachorro Magro” surgiu às 2h15 da madrugada, num verão da Praia de Baunilha, flutuando nos Ares dos Mares do RS, bem provavelmente, fevereiro de 2002. A Mamica dormia o sono dos justos no quarto ao lado e o Inventor do Vento dava seus primeiros mergulhos nas ideias da Modernidade, sentado com o violão e livros na mesa da cozinha.
    Esse blues canta de uma maneira impressionista (coisas da razão juvenil, evidentemente) e embaralha conceitos revolucionários para um nascente coração entre o anarquismo e o comunismo.
    No mínimo, um coração simpatizante das promessas dos Iluministas que inventaram, no século XVIII, a maior de todas as invenções humanas que é o sonho utópico da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade.
    O embalo da canção foi num blues roqueiro mesmo, pois afinal, a rebeldia irreverente e romântica do rock tal qual a negritude do blues um dia fizeram o mundo dançar e isto, por um lado, deu que o sistema capitalista também devorou todas as guitarras, gritos, tambores e piadas roqueiras cuspindo mais uma nova praga-mercadoria (a música pop), envelhecendo, talvez precocemente, essa manifestação musical; por outro lado, porém, o rock - filho do blues das encruzilhadas - despertou lá algumas consciências-cacholas mundo afora, semeando fagulhas críticas & pensativas…
     O “Blues do Cachorro Magro” foi parar, em 2016, no capítulo XI dos “Contos Pra Cantar”, páginas 54 e 55.
Oh yeaaaaah!


O BLUES DO CACHORRO MAGRO
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)

Nada de políticos, nada de tribunais
Nada de polícia, finanças ou capitais
Não importa se você é ateu ou é cristão
Não importa se você é um profeta ou um cagalhão
Não importa a sua cor, a sua dor, o seu nome
Chega de barreiras, chega de fronteiras, arrã!

A lei é uma só, só existe uma lei
O mundo é da gente e não pertence a nenhum rei
Não importa se você é hétero ou é gay
Faça a sua vontade e que a vontade faça o bem, arrã!

Reze para deus, reze para mim
Só não fique aí parado esperando que o mato cresça

Um tempo de mudança está solto no ar
Então é bom que a gente comece a pensar
Pense um pouco, um pouco diferente
E veja que o mundo, o mundo é da gente
Esqueça a tevê, esqueça o jornal
E veja as estrelas lá no alto a brilhar! IéIé!

Preste atenção à voz do coração
E veja se você é realmente o patrão
Preste atenção e olhe muito bem
Qual é o seu direito de querer mandar em alguém?

Sem essa de clonagem
Já basta sermos um
Pra que viver pra sempre sem chegar a lugar algum?
O homem mal sabe viver uma vida só
Imagine a eternidade, ah, tenha dó!

- O Homem é um bicho tão esquisito! Tá sempre procurando por respostas, mas não sabe nem por onde começar as perguntas! –



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Diga Cá: Cheirinho do Livro X dos "Contos Pra Cantar"



DIGA CÁ
(C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento)
* Livro X dos "Contos Pra Cantar" – 
Escutar músicas em outras línguas que não o inglês (p. 51)

Me diga cá, senhora LAVADEIRA,
o que faz a diferença neste Brasil?
Será o presidente? Será a empresa? Será a igreja? Será a terreira?

Me diga cá, senhora FAXINEIRA,
o que faz a diferença neste Brasil?
Será a escola? Será a televisão? Será a universidade? Ou toda gente trabalhadeira?

Me diga cá, mocinha ESTUDANTE,
o que faz a diferença neste Brasil?
Será o exército? Será o índio? Será o negro? Será o mestiço?

Me diga cá, querida JORNALISTA,
o que faz a diferença neste Brasil?
Será a natureza? Será a mulher? Será o Silviossantos? Será a Grobo?

Me diga cá, querida JOGADORA,
o que faz a diferença neste Brasil?
Será o dinheiro? Será a fé? Será a ciência? Ou a influência? 
A Independência? A Inconfidência? A paciência?
(Haja paciência, meu irmão!)