A violência contra as MULHERES se agravou ainda mais nesse último ano de pandemia.
O sentimento de posse que alguns homens desenvolvem contra suas ex-namoradas ou ex-esposas resulta, muitas vezes, na tragédia do feminicídio – quando agressões levam uma mulher à morte.
O machismo é um desafio para todos superarem com educação e uma nova cultura de paz nos relacionamentos: mulheres conquistando maior conscientização contra relacionamentos abusivos (marcados por crises de ciúmes, ofensas, desconfianças e ameaças) e homens que precisam abandonar já hábitos grosseiros de humilhação, exploração e menosprezo pela vida feminina e pela vida em geral.
Qualquer relação só é plena e amorosa quando ocorre CONSENTIMENTO entre todos os envolvidos, ainda mais em um casal. Se um lado não está mais disposto a seguir um namoro ou casamento é preciso paciência da outra parte e entendimento que, apesar das frustrações, a vida deve seguir e muitas outras pessoas interessantes existem por aí que ainda não conhecemos.
Nada justifica atos de violência por paixões fracassadas, nem mesmo traições ou desentendimentos superam a brutalidade de acabar com a vida de alguém.
Era
uma vez uma MULHER que dizia que havia despencado num fundo poço.
Isto aconteceu entre a segunda e uma quarta-feira do ano de 1700. Ela
trazia um balde, mas a roupa suja se extraviou pelo caminho, nessa
viagem no tempo que a jogou em 2013!
A
mulher lembrou do mapa que ganhou do seu esposo, quando casou com ele
na feira de São Roque. Muito perdida, ela deu de si e desembestou a
procurar os antigos lugares onde as mulheres da sua terra levavam a
vida.
Nessa
cidade louca, grande de capitalismo, onde foi parar, quem sabe no
século XX ou XXI, o dinheiro compra, vende, atiça, acalma e só
alguns loucos não compram, não se vendem e sem dinheiro se acalmam.
A
mulher se viu sozinha, mas foi uma menininha quem disse moça, tu tá
perdida, posso lhe ajudar? Pegue na minha mão, vamos ler esse
mapa...
Aqui
manda atalhar por uma cozinha!?! 'Cê tá com fome, moça? Eu te
mostro o forno de micro-ondas! À direita do seu mapa antigo tem um
tanque com roupa suja!?! Mas quem te deu esse mapa era um bayta de um
porcão, hein! Ainda bem que a lavanderia fica logo ali na outra
esquina. Aliás, na mesma rua da minha amiga que é tatuadora.
Com
isso tudo a viajante no tempo ficou confusa, pois não havia nada
disso lá na sua era. Ela se admirou muito com a máquina de lavar e
ouviu até o som do apito da
fiscal de trânsito. Boquiaberta ela viu nascer das nuvens um avião,
a dona aviadora inclusive lhe acenou, jogando um livro de uma moça
tal de Valentina, a cosmonauta russa que se foi pro espaço. E a
menininha lhe explicou o que é um foguete. Enquanto isso, gurias
lindas lutavam boxe, jogavam bola, no terraço alto de um edifício
quase no céu. Lá embaixo as vovozinhas protestavam, pelos filhos
mortos nos dias tristes da ditadura militar!
E
eu nem sei ler, ela disse, a camponesa antiga, e segurou o livro de
cabeça pra baixo. Não é um problema, a outra, a guriazinha do
futuro, respondeu, pois há vagas na minha escola. A professora é
muito querida, vai fazer questão de te ensinar as primeiras letras.
Na guerra até foi ela quem anotou, as últimas palavras do soldado
que morria.
Enquanto
isso pifou um carro na avenida, chamaram logo a mecânica pra
apertar as rebimbocas, os parafusos e os lalalás. Já uma skatista
voava baixo, pois o seu amigo era pai solteiro que ficou sem fraldas
para o nenê. A guriazinha se lembrou até de lhe contar, à mulher
de 1700, da sua tia que se casou com outra tia. Foi quando um
machista velho ouviu e berrou desde a esquina:
MULHER
EM FOTO SÓ SE FOR PELADA MESMO!
A
menina, gentilmente, respondeu com o seu dedo do meio e lhe jogou na
cara, na cara do machista, três belas fotografias: mostrando o
jeans rasgado de Ana Caninana, mostrando o preto véu de uma
pacifista afegã, e mostrando Carmenzita, a cadeirante que era a sua
irmã.
A
viajante no tempo saiu do poço transformadamente, pois sua mente
nova ficou em pane por algum tempo. Ela rasgou o mapa do marido com
os lugares de mulher e se foi pensando, de volta no tempo, para casa,
procurando onde é que é?
(Playlist
do Livro “Contos Pra Cantar”, #27, página 55, capítulo XI,
“Traçar planos impossíveis só pra acreditar neles”).
O
recital Pimenta
Cor-de-Rosa apresenta algumas das personagens
femininas que compõem o livro “Contos
Pra Cantar do Inventor do Vento”.
No
dia de Lutas Delas (08/03), destacamos as
seguintes moças em 08 canções:
1)
VERÔNICA: O quixotismo de se chutar o balde e virar a mesa
da cultura machista que perdura pelas eras e lugares;
2)
LUGAR DE MULHER ONDE É? Um encontro histórico entre uma
camponesa analfabeta do século XVII e uma menininha de 09 anos que
lhe apresenta a modernidade no ano de 2013;
3)
É DE MARIA QUE FALO É PRA MARIA O MEU CANTO: A maternidade
é coisa sagrada, e exclusiva a apenas metade da humanidade. No
Brasil, muitos somos filhos de Maria, eu inclusive. Em 05 minutos, a
história da minha Mamica: da colônia para um Vale industrial. Para
sempre filho de Maria!
4)
ADAGA DE PRATA: As mitológicas do machismo x feminismo;
5)
ENTRE O GOLPE E A REVOLUÇÃO: Uma foto que virou música.
Tirada por uma estudante em meio à crise política brasileira de
2016? Pode ser!
6)
SIDNEA MAGOA: Vi Sidnea dançando lambada numa esquina de
Porto Alegre. E ela me contou que não anda nada satisfeita com as
coisas do espírito e da política no Brasil;
7)
HISTÓRIA QUE NÃO VIVI: Uma valsinha esquisita em plena
festa de 15 anos. Entre a dança e a contradança, pai e filha
dialogam sobre o despertar da sexualidade.
8)
A DANÇARINA JÉSSICA: Jéssica ia aos bailes de 1979 no seu
vestido calexico até a Mãe Lua lhe chamar para a noite (ou seria um
mágico de rua?) e ela virar a melhor meretriz de todas.
A
história de Verônica,
letra e música de C. A. Albani
da Silva, o Inventor
do Vento: moça quixotesca que
chutou o balde e virou a mesa da cultura machista em que foi criada!
Ao
vivo na Ocupação da Escola
Padre Nunes, Gravataí/RS, Maio de 2016.
Playlist
no SoundCloud
pra cantar com o CoV sobre as mulheres no tempo: lutas políticas,
paixões, feminilidade, o machismo, a maternidade, sagrado feminino de todo dia
em muitas eras que o dia passa devagarzinho e as eras muito rápidas.
Adaga de Prata (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Composição de 2013, também registrada
ao vivo no programa Estação Cultura da TVE (abril de 2014). Inspirada em muitas
mitologias e na simbólica figura da moça que decide morrer virgem por enxergar
só maldade nos homens.
Diga Cá (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Baião que está na quinta faixa do CD
do CoV (finalizado em 2013). A pergunta é para as mulheres (lavadeiras,
faxineiras, estudantes, jornalistas, jogadoras) sobre o que faz a diferença no
Brasil do século XXI?
História que não vivi (C. A. Albani da Silva, o Inventor do
Vento): Escrita para o curta metragem
estudantil homônimo, em 2013, esta balada traz um intenso diálogo entre um
papai que vê a filha ainda bonequinha e a filha adolescente que sente na carne
e no coração o despertar da sexualidade.
Colar (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): Nesta canção, a sombra de uma rapariga
em flor deflagra versos líricos para uma beleza brejeira barroca que virou
canção e depois livro. Terceira faixa do CD do CoV (2013).
A Guria da Livraria (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento):
Falando em livros, só deixem em paz a guria da livrariaaaaaaa!
Verônica (C. A. Albani da Silva, o Inventor do Vento): A Verônica que chutou o balde, virou a
mesa, deixou de fazer as coisas que sempre fazia. Reforço do Mick Oliveira nos
teclados em mais um capítulo dos Concertos do Vento para Piano & Voz.
Mulheres de Atenas (Chico Buarque & Augusto Boal): O machismo de Atenas perdura da
Antiguidade até ontem. E nos vocais de apoio uma Amazona: Aline Albani.
Gravação no Acústico Maresia, Navegantes de 2014, Praia de Baunilha.
Capitu (Luiz Tatit): A mais famosa e enigmática personagem da literatura
brasileira: Capitolina Rodrigues apareceu no livro “Dom Casmurro” (1899) de
Machado de Assis e ninguém mais se esqueceu dela. Nem mesmo na era da internet.
Acorda, Maria Bonita (Antonio dos Santos, o cangaceiro Volta
Seca): Nas sociedades pré-industriais o papel
econômico da mulher era indissociável do papel do homem: a casa, a prole, o
campo eram uma unidade e o machismo era diferente dos dias posteriores à
Revolução Industrial onde a mulher foi sendo inferiorizada por seu trabalho
doméstico ser pouco, ou nada, remunerado.
A Deusa dos
Orixás (Clara Nunes desde um ponto de terreira):Triângulos
amorosos de verdade possuem a fórmula 2v + 1d = 2 x 0: dois varões mais uma
dama = um casal feliz vezes um solitário chupando dedo na falta de coisa
melhor, como manga, por exemplo. Isso acontece seja com gente ou orixá: Ogum x
Xangô + Yansã.
É de Maria que falo é pra Maria que canto (C. A. Albani da
Silva, o Inventor do Vento): Em cinco minutos a história da vida da mulher mais
importante da vida do Inventor do Vento: a Mamica! É pra ela que canto!
Vuuuuuuuush!
Show das Poderosas
(Anitta numa versão 1001 noites árabes com Vento): Sherazade pode ter sido a primeira
poderosa da História. Ao menos é personagem duradoura, de um jeito ou de outro,
até os dias que seguem e quase ninguém sabe onde irão dar.
Nosso sarau sobre as mulheres no tempo chega ao seu bloco
derradeiro de canções com:
1)Capitu
(de Luiz Tatit, SP): Pra cantar a mais famosa
personagem da literatura brasileira, a “morena dos olhos de ressaca”, Maria
Capitolina Santiago, a Capitu, do livro “Dom Casmurro” (1899), de Machado de
Assis (1839-1908);
2)Verônica
(do C. A. Albani da Silva, este Inventor de Ventos): Pra cantar a história
da incrível virada de mesa da desconhecida Verônica, na versão para piano e voz
do Vento, claro, com a participação do Mick Oliveira arrepiando nos teclados;
3)Show
das Poderosas (de Larissa Machado ou Anitta): Pra cantar a ousadia de
muitas moças pós-modernas numa versão 1001 noites árabes com Vento!!!